|
ALCOOLISMO
Daniel Valois valois35@terra.com.br |
|
Quem fabricou o primeiro vinho?
A história do vinho perde-se nas brumas do tempo.
Segundo o Google, escavações arqueológicas realizadas na Turquia, Jordânia, Líbano e Síria localizaram sementes de uvas colhidas de cepas hermafroditas, datadas de 8.000 anos AC. O vinho pode ter sido produzido pela primeira vez em regiões desses países.
De acordo com a Mitologia grega, o vinho teria sido criado por Dionísio (Baco para os romanos).
Parece que o mosto, (uva ou outro vegetal fermentado para a produção de álcool), foi utilizado pelo homem em épocas pré-históricas com finalidades antibióticas. O Bom Samaritano, na parábola contada por Jesus, trata os ferimentos do homem gravemente ferido por assaltantes, com vinho e azeite doce (Lucas 10:30).
Vinho, Cerveja, Champanhe, Espumante, Uísque, Vodka, Gim, Conhaque, Cachaça, Tequila, Rum, Licor, Saquê, etc, etc, etc... são bebidas alcólicas com teores de álcool que vão de 54° a 72° GL (Gay Lussac) . Uva, milho, arroz, tubérculos, cana, cevada, centeio, lúpulo, cânhamo (agave) são algumas das matérias primas que, após processo de fermentação e/ou destilação, são transformados em álcool para ingestão pelos humanos.
Hoje, com o uso regular e excessivo do álcool como bebida, em qualquer encontro social, o risco da dependência química, física e psíquica aumentou muito. É o alcoolismo.
Fatores sociais, culturais e psicológicos trazem uma importante contribuição para o incremento do alcoolismo. “Dentre os fatores sociais que contribuem para a iniciação e persistência da adição alcoólica está a aprovação social dada em muitas culturas ao homem que pode aguentar a bebida; um consumo substancial de álcool é considerado como sinal de virilidade . Como o álcool ajuda a vencer a timidez e o constrangimento, o adolescente o ingere para sentir-se homem” (Psiquiatria Clínica, Mayer-Gross, Editora Mestre Jou).
A associação da bebida ao sucesso profissional, ao êxito nos esportes, nas conquistas do sexo e nas boas relações sociais, são fatores desencadeantes do alcoolismo, escondidos nas teias sedutoras da mídia, que enaltece o consumo do álcool.
As maiores vítimas do alcoolismo, sob a nossa ótica são: a família, as crianças e adolescentes, as mulheres, o caráter e a dignidade das pessoas, todos os órgãos do corpo humano e a economia. As mulheres são coisificadas nas propagandas de todos os tipos de bebidas e são as vítimas preferenciais dos alcoolistas, sofrendo todo o tipo de agressão e violência.
A professora da UnB, Berenice Bento, Dra. Em Sociologia, publicou a respeito do assunto, artigo na Folha de São Paulo de 03 de janeiro de 2007, do qual reproduzimos alguns trechos:
“Como não ficar estarrecida com a reiterada violência contra as mulheres nos comerciais de cerveja? Com raras exceções, a estrutura dos comerciais não muda: a mulher quase desnuda, a cerveja gelada e o homem ávido de sede. As campanhas são direcionadas para o homem, aquele que pode comprar.
Alguns exemplos: uma mulher faz uma pequena dissertação sobre a cerveja para uma audiência masculina, incrédula de sua inteligência. Logo o mal-entendido se desfaz: claro, uma mulher não poderia saber tantas coisas se não tivesse como mentor um homem; a mulher é engarrafada, transformada em cerveja; ela é a BOA. Quem? O quê? A mulher ou a cerveja?
Nesses comerciais não há metáforas. A mulher não é "como se fosse a cerveja": é a cerveja. Está ali para ser consumida silenciosamente, passivamente, sem esboçar reação, pelo homem. Se já criminalizamos alguns discursos porque são violentos, não é possível continuarmos passivamente consumindo discursos misóginos a cada dia, como se o mundo da televisão não estivesse ligado ao mundo real, como se as violências ali transmitidas tivessem fim no click do controle remoto.
Embora a matéria-prima para elaboração desses comerciais esteja nas próprias relações sociais, nas performances ali apresentadas há uma potencialização da violência. Não há uma disjunção radical entre violência simbólica e física. Há processos de retroalimentação...”
A violência no trânsito, os acidentes fatais, as mortes, as mutilações, as incapacitações físicas, os tratamentos médicos decorrentes, as hospitalizações, as indenizações, as aposentadorias por invalidez, tudo isso pesa no orçamento da União, dos Estados e dos Municípios. É dinheiro que poderia ser direcionado para a construção de moradias, para melhoria do sistema viário, para implantação do saneamento ambiental (água e esgotos) para a agricultura, para aprimoramento do ensino público e construção de novas escolas, para a pesquisa científica, para ampliação da oferta de trabalho e renda e para melhoria do atendimento na área da saúde. São bilhões jogados fora todos os anos pelo consumo estimulado do álcool, pela indústria de ilusões montada na mídia, que seduz crianças, jovens e adultos...
Não poderia encerrar minhas considerações, sem enfocar o papel da educação estruturada na moral cristã, preconizada pela Doutrina Espírita que traça, em o “Livro dos Espíritos” no capítulo “Das Leis Morais”, a trajetória para a evolução consciente da humanidade. A pergunta 633 (Lei Divina ou Natural), é bem elucidativa a esse respeito: “A regra do bem e do mal, que se poderia chamar de reciprocidade ou de solidariedade, é inaplicável ao proceder pessoal do homem para consigo mesmo? Achará ele na lei natural, a regra para proceder e um guia seguro?
Resposta: “Quando comeis em excesso, verificais que isso vos faz mal. Pois bem, é Deus quem vos dá a medida daquilo de que necessitais. Quando excedeis dessa medida, sois punidos. Em tudo é assim. A lei natural traça para o homem o limite das suas necessidades. Se ele ultrapassa esse limite, pune-se pelo sofrimento. Se atendesse sempre à voz que lhe diz - basta ! Evitaria a maior parte dos males, cuja culpa lança à natureza...”
Psicólogo (valois35@terra.com.br)