|
APRENDER A CONVIVER Daniel Valois
|
![]() |
Ouço a voz empostada do repórter que anuncia prosseguimento da greve de fome do Garotinho... a mesma voz empostada fala a seguir das dezenas de crianças, mulheres e adultos, filhos, mães e pais que voaram aos pedaços na explosão do último carro bomba, no Iraque ou no Paquistão; das últimas tendências da moda de inverno, do campeonato de futebol, do namoro do Brad Pitt... Tudo se mistura e se coisifica, no relatar monótono e profissional do repórter. Não há emoção na voz do homem--robô, programado pela emissora para transmitir notícias, sem emoção ou sentimento – é a máquina de falar...
A falta de sentimento, a contenção do emocional, está levando as pessoas à frieza, ao comportamento insípido, ao distanciamento afetivo, gerando um relacionamento mecânico, impróprio ao ser que se diferencia dos animais inferiores pelo pensar organizado, pelo sentir percebido . Parte da Mídia contribui para isso. A massa de informações despejada sobre a população pelos robôs falantes; da maneira como é despejada, estimula a cultura do desvalor, do medo, da consciência de que a vida não vale nada. E se a vida nada vale, porque construir laços de afeto? Em quem confiar?
Nesta hora de transição, quando o Planeta evolve de planeta de prova e expiação para orbe de regeneração, a união, a solidariedade, a fraternidade e o relacionamento afetivo é oxigênio indispensável à sobrevivência do ser humano. Ermance Dufaux, em uma de suas obras da série “Harmonia Interior”, afirma na sua liguagem preciosa e precisa:
“Amar é uma aprendizagem. Conviver é uma construção “(destaquei)
“Não existe amor ou desamor à primeira vista, e sim simpatia ou antipatia...”
“Ninguém ama só de sentir. Amor verdadeiro é vivido. O atestado de Amor verdadeiro é lavrado nas atitudes de cada dia. Sentir é o primeiro passo, mas se a seguir não vêm as ações transformadoras, então nosso Amor pode estar sendo confundido com fugazes momentos de felicidade interior, ou com os tenros embriões dos novos desejos no bem que começamos a acalentar recentemente”. (Do livro "Laços de Afeto" . Ermance Dufaux, Editora Dufaux, MG)
Ela está falando da aprendizagem do CONVIVER. É preciso expressar afetividade na convivência diária. Abrir o coração, abraçar, beijar, cumprimentar efusivamente! Priorizar os programas culturais e educativos, a música, a poesia, o romance – a boa literatura, deletando os “jornais falados”...
Irene Nousiainen, em sua tese de pós-graduação em Educação Biocêntrica , menciona a seguinte definição de afetividade :
“A afetividade é uma função psicológica que se regula biologicamente pelo sistema límbico-hipotalâmico. Refere-se especificamente ao que se ama, ao que se tem cuidado, e está relacionada à função de registro permanente e evocação da memória, como também aos valores, à consciência ética e à transcendência ou espiritualidade...” (Citada no opúsculo "Agenda Mínima para Evoluir - Editora Caminhos da Harmonia) .
Praticar afetividade no nosso dia a dia é aprender a conviver. A boa convivência gera saúde física e mental, boa disposição geral e melhor qualidade de vida.
Vamos, portanto, com afetividade, aprender a construir convivência. A boa convivência.
Daniel Valois
Conselho Regional Espírita de Florianópolis (CRE-1)