|
Ecumenismo Marco Vay
|
![]() |
Não gosto de “Puristas”.
- Calma lá!, dirá o Leitor Amigo. Do que você está falando?
Vou explicar. “Purista” é aquele que crê pia e fervorosamente em tudo o que está
escrito no “texto sagrado” no qual ele acredita e em absolutamente mais nada.
Vou dar alguns exemplos:
a) Os Católicos “Puristas” acreditam em Adão, Eva, Caim e Abel. Quando você
pergunta, citando a Gênese (primeiro livro do Pentateuco da Bíblia), como é
possível que Caim, após matar Abel, tenha fugido para outras terras onde casou e
gerou descendentes, visto que só existiriam ele, o pai e a mãe, os “Puristas”
respondem que não é dado compreender os desígnios de Deus..... Quando você
questiona para que Deus teria marcado Caim com a famosa marca para que todos os
que o encontrassem o reconhecessem, se não haveria mais ninguém na Terra além
dele, da mãe (Eva) e do pai (Adão), os “Puristas” desconversam.
b) O Judeus “Puristas” acreditam que uma mulher mestruada é impura e que
qualquer homem deve evitar o contato com ela para não se tornar impuro também.
Se você argumentar com um Judeu “Purista”, alegando que talvez isso fizesse
sentido há 3.500 anos, na época de Moises, no meio do deserto, sem água para
higenizar-se, etc., etc., mas que hoje em dia isso é um absurdo, ele vai
responder que está escrito na Torá e que esta é a vontade de Deus e pronto.
c) Assim por diante, encontramos os “Puristas” entre os Muçulmanos (chamados de
Fundamentalistas Islâmicos), entre os Hindus, entre os Evangélicos e assim por
diante. Veja, por exemplo, os Testemunhas de Jeová que até hoje proíbem um
transplante salvador em uma criancinha, porque afirmam estar escrito em algum
lugar da Bíblia que isso é proibido. Permitido é deixar uma criança morrer...?
Isso é “Purismo”.
Por isso não gosto de “Puristas”. O “Purista” nega a razão, vira as costas ao
intelecto, ao raciocínio, ao bom senso. O “Purista” nega o princípio básico da
Evolução. Se a Humanidade fosse composta por 100% de “Puristas”, ainda
estaríamos nas cavernas, trocando tapas com tigres dente de sabre e resmungando
contra o deus do trovão.
<Marco...> perguntará o Leitor agora.,<...mas o que isso tem a ver com
Espiritismo?>
Muitíssimo. O Espiritismo também tem os seus “Puristas”.
O “Purista Espírita”, só para dar um exemplo, acredita em muito pouco do que nos
conta o Emmanuel seja diretamente, de seu punho, como em “A Caminho da Luz”,
“Paulo e Estevão”, “Há 2.000 anos”, “Cinqüenta anos depois”, “Renúncia”, seja
assinando junto e dando o seu aval a outras obras, como por exemplo toda a série
de André Luiz.
Porque o “Purista Espírita” não acredita nisso? Porque Kardec não escreveu.
Assim, daqui há 3.500 anos, seremos iguais a este pessoal que acredita em Adão e
Eva. Se Kardec não escreveu, não vale, por mais que o conhecimento, a razão, a
lógica e a Evolução nos mostrem o contrário.
Assim, o “Purista” freia a Evolução da humanidade rumo à angelitude que Jesus
nos prometeu.
Existe uma outra questão importantíssima. Tanto Kardec como Léon Denis e outros
fundadores do moderno Espiritismo, sempre defenderam ferreamente a idéia do
universalismo da Doutrina Espírita.
Como seres inteligentes que somos, sabemos que “Deus” não privilegia um povo em
detrimento de outros. Não existem “povos escolhidos”, para receber a única
Verdade, enquanto os demais chafurdam na lama da ignorância. É evidente que
emissários do Alto, abnegados Colaboradores de Jesus, há milênios vem
disseminando Verdades parciais e complementares entre si, entre todos os povos e
todas as raças da Humanidade, para que a espiritualização venha crescendo de
forma mais ou menos harmônica por todas as latitudes de nosso planeta, buscando
um ponto futuro onde estas várias Verdades parciais se unirão em um único
conhecimento verdadeiramente verdadeiro, comum a toda a Humanidade.
Talvez pudéssemos estabelecer um paralelo entre a Parábola do semeador e este
disseminar de conceitos espiritualistas por toda a Terra.
Assim, temos que estar sensíveis e alerta para tantas verdades parciais
existentes por aí, submete-las ao crivo da razão (como nos ensinou Kardec) e
anexa-las ou não à Verdade na qual acreditamos.
Os “Puristas Espíritas” negam isso. Agem da mesma forma que a “Santa Inquisição”
dos séculos XII a XVI ou como a atual “Congregação para a Doutrina e Fé”, da
qual o atual Papa era dirigente até a morte de João Paulo II. Cerceiam a
abertura mental. Cegos em sua presunção de serem os Detentores e Guardiões da
verdadeira fé espírita, agem como os Fariseus do Templo que Jesus tanto
criticou.
Bem intencionados? Mal intencionados? Isso não importa. Com certeza a maioria
absoluta é bem intencionada. Mas não se discute aqui a intenção. Se discute o
efeito. O efeito é proibir e/ou cercear ou ainda não promover a discussão
daquelas outras verdades complementares das quais falei e a sua inclusão ou não
na “Crença Espírita”.
Não vou falar em buscar elos perdidos da Verdade verdadeira entre culturas,
textos sagrados, civilizações e religiões tão distantes como Budismo, Hinduísmo,
Xintoísmo, Cabala Judaica, Livro dos Vedas, ensinamentos vindo dos Templários,
dos Arias, dos Essênios, dos Celtas, etc..
Pensando apenas em realidades que nos são próximas, será que os Companheiros de
jornada Umbandistas não teriam nada a complementar em nossa Fé, em função de sua
larga experiência militando junto aos espíritos mais próximos da crosta? Será
que, atrás de um “Preto velho” ou de Uma “Mãe Preta” ou de uma “Criança”, ou
“Caboclo”, ou “Cigano”, não se esconde às vezes um espírito nobre que prefere
usar esta designação para falar mais próximo da gente simples deste Brasilzão,
sem citar sua verdadeira origem e seu nível espiritual, em uma atitude humilde
para não criar uma reverência indevida? Será que Ramatis só fala besteiras
mesmo? Será que entre nos e o Catolicismo não existem muitos pontos em comum e
que a distância que nos separa poderia ser reduzida aos poucos em um movimento
de aproximação das similaridades, ao invés do sectarismo dos “Puristas” que cada
vez mais querem criar diferenças, ao invés de buscar União entre nos terrícolas
e Universalizar o conhecimento? Não penso em aceitar todo e qualquer exoterismo.
Não, não é isso que estou propondo. Nada de “feijoada espiritualista”.
Gosto da idéia de um Ecumenismo Espiritualista. Gosto de pensar em unir, ao
invés de separar. Gosto de pensar em buscar ligar os vários elos perdidos entre
tantas culturas, tantas religiões, de tanta espiritualidade difusa nesta sagrada
escola de Evolução que é o nosso amado Planeta Terra. Gosto da idéia de entrar
por esta porta que os espíritos nos abriram, através de Kardec, sem medo de ser
feliz. Sem medo de perscrutar novos horizontes, mais amplos e mais cósmicos.
Gosto da idéia de ousar deixar a comodidade tranqüilizadora do “Livro dos
Espíritos” para, sem negá-lo em hipótese alguma, tentar avançar com base em seus
ensinamentos, mesmo que a passos titubeantes, no “desconhecido” caminho do
crescimento.
Sonho com um encontro entre espiritualistas de diversas correntes para tentar
descobrir e isolar na crença de cada um, aquelas “verdades” comuns a todos, para
elege-las como Verdades verdadeiras, não para 2 ou 3 milhões de Espíritas, mas
para dezenas de milhões de Espiritualistas Brasileiros, independentemente do
rotulo que carreguem consigo.
No próximo artigo, se este tiver sido do vosso agrado, irei exemplificar como os
ensinamentos que acreditamos serem apenas nossos, estão na verdade disseminados
por todo o Planeta, às vezes dissimulados por perfumes e aromas diferentes mas
substancialmente iguais e como este sonho de união da Humanidade ao redor das
Verdades é mais fácil do que possa parecer, desde que abandonemos o orgulho e a
vaidade (travas da evolução) de sermos os únicos detentores da Verdade.