Voltar


Gestão de pessoas, ética e Espiritismo

Marco Vay

 

vay@zaraplast.com.br

Muito tem-se falado sobre ética.
Frequentemente, este termo é aplicado à atuação política e de algumas profissões e especialidades profundamente ligadas ao ser humano, como medicina, psicologia, direito, entre outros.
Gostaria de abordar o tema ética à luz da gestão de pessoas, situação esta presente sempre que houver chefes e subordinados, em qualquer organização, seja ela pública, privada, industrial, comercial, agrícola, prestadora de serviços, religiosa, militar e outras mais.
Me refiro ao termo “gestão de pessoas”, desta forma, à maneira pela qual a liderança sobre pessoas é exercida, seja ela impositiva, eletiva, emergencial, eventual.
Desde o imediato “pós-revolução industrial” quando de 1.750 em diante, Fayol, Taylor, Mayo e outros começaram a tratar desta relação entre quem manda e quem obedece, talvez nunca tanto quanto hoje em dia, o tema “liderança” tem ocupado espaço em livros, palestras, seminários e demais atividades voltadas para a administração de empresas e negócios.
Além disso, a evolução da Humanidade no campo da busca e defesa dos direitos humanos inerentes ao convívio social, bem como o refinamento das leis trabalhistas e sua entrada na defesa destes direito, tem focalizado cada vez mais a defesa dos valores éticos e o respeito aos valores morais.
Assedio sexual, assedio moral, abuso de poder, passaram a ser termos largamente utilizados e difundidos.
Com a sensível mudança pela qual os relacionamentos interpessoais tem passado nos últimos anos, os estilos de liderança que em outras épocas fizeram sucesso, hoje em dia já não conseguem mais vencer os desafios de um mundo globalizado e de uma classe trabalhadora cada vez mais aculturada, instruida e consciente de seus direitos.
A sociedade mudou e os estilos de liderança devem mudar também.
Ao longo dos últimos meses tenho estudado o assunto com particular atenção e, ao ler as opiniões dos “experts” no assunto, me surpreendi com conceitos muito, muito diferentes dos de poucos anos atrás e, curiosamente, próximos dos ensinamentos que Kardec nos passou há 150 anos.
Antes de mais nada, gostaria de lembrar-lhes as palavras dos Espíritos para Kardec em “O Livro dos Espíritos”, relativamente a este tema:
Perg.: 684 – “Que pensar daqueles que abusam de sua autoridade para impor aos seus inferiores um excesso de trabalho”? (podemos entender aqui estilo de liderança autocrático de uma forma geral)
Resposta:  É uma das piores ações. Todo homem que tem o poder de comandar, é responsável pelo excesso de trabalho (podemos entender aqui outras formas de abuso sobre os comandados) que impõe a seus subalternos, porque ele transgride a lei de Deus”.

Baseado no princípio de Amor ao próximo (fundamento básico da ética), os Espiritos conceituam a ética nas relações profissionais e de gestão como obedecer (não transgredir) a lei de Deus. Que lei? A lei de Amor, Justiça e Caridade sobre as quais os Espiritos tanto insistem em toda a obra de Kardec.
Vejam que o homem que comanda (gere pessoas) é responsável pelos excessos que praticar sobre seus subalternos. Esta é a ética recomendada pelos Espíritos.
Em contraposição à forma truculenta como foram conduzidas ao longo se séculos as relações decorrentes da gestão de pessoas, vejam agora, conceitos retirados do “Best seller”, “O monge e o executivo”. Este livro está nas listas dos mais vendidos há semanas.

“Eu gostaria de desafiá-los esta semana a começarem a refletir sobre a terrível responsabilidade que assumiram quando optaram por ser líderes. Isso mesmo, cada um de vocês se comprometeu voluntariamente a ser pai, mãe, esposo ou esposa, chefe, treinador ou treinadora, professor ou professora, ou o que quer que seja. Ninguém forçou vocês a desempenhar nenhum desses papéis, e vocês estão livres para deixá-los quando quiserem. No local de trabalho, por exemplo, os empregados passam a metade do dia trabalhando e vivendo no ambiente que vocês criam como líderes. Eu me admirava, quando estava no mercado de trabalho, ao constatar a forma displicente e até petulante com que os líderes desempenhavam essa responsabilidade. Há muita coisa em jogo e as pessoas contam com vocês. O papel do líder é extremamente exigente.

Mais adiante, no mesmo livro, encontramos:

— Se bem me lembro, Jesus simplesmente disse que para liderar você deve servir. Acho que você poderia chamar isso de liderança a serviço. Lembre-se, Jesus não usava o estilo de poder simplesmente porque não tinha poder. O rei Herodes, Pôncio Pilatos, os romanos, toda aquela gente tinha poder. Mas Jesus possuía muita influência, Ele nunca usou o poder, nunca forçou ou coagiu ninguém a segui-lo.

E, mais adiante ainda, encontramos:

          — Eu gostaria de usar a palavra amor.— A razão pela qual frequentemente
 nos sentimos desconfortáveis a respeito desta palavra, principalmente em ambientes de negócios, é porque quando se fala em "amor" pensamos logo no sentimento...... quando uso a palavra amor eu me refiro a um comportamento e não a um sentimento.

Quem diria, há apenas alguns anos que um texto como este pudesse ser o “bam-bam-bam” da moderna teoria administrativa?

Pois é, Amigos Espíritas, não é que a Humanidade está evoluindo mesmo? Os princípios éticos de Jesus e dos Espíritos estão se tornando “best seller”.
Um abraço a todos,
 


Voltar