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Gestão de pessoas, ética e Espiritismo
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Muito
tem-se falado sobre ética.
Frequentemente, este termo é aplicado à atuação política e de algumas
profissões e especialidades profundamente ligadas ao ser humano, como
medicina, psicologia, direito, entre outros.
Gostaria de abordar o tema ética à luz da gestão de pessoas, situação esta
presente sempre que houver chefes e subordinados, em qualquer organização,
seja ela pública, privada, industrial, comercial, agrícola, prestadora de
serviços, religiosa, militar e outras mais.
Me refiro ao termo “gestão de pessoas”, desta forma, à maneira pela qual a
liderança sobre pessoas é exercida, seja ela impositiva, eletiva,
emergencial, eventual.
Desde o imediato “pós-revolução industrial” quando de 1.750 em diante, Fayol,
Taylor, Mayo e outros começaram a tratar desta relação entre quem manda e
quem obedece, talvez nunca tanto quanto hoje em dia, o tema “liderança” tem
ocupado espaço em livros, palestras, seminários e demais atividades voltadas
para a administração de empresas e negócios.
Além disso, a evolução da Humanidade no campo da busca e defesa dos direitos
humanos inerentes ao convívio social, bem como o refinamento das leis
trabalhistas e sua entrada na defesa destes direito, tem focalizado cada vez
mais a defesa dos valores éticos e o respeito aos valores morais.
Assedio sexual, assedio moral, abuso de poder, passaram a ser termos
largamente utilizados e difundidos.
Com a sensível mudança pela qual os relacionamentos interpessoais tem
passado nos últimos anos, os estilos de liderança que em outras épocas
fizeram sucesso, hoje em dia já não conseguem mais vencer os desafios de um
mundo globalizado e de uma classe trabalhadora cada vez mais aculturada,
instruida e consciente de seus direitos.
A sociedade mudou e os estilos de liderança devem mudar também.
Ao longo dos últimos meses tenho estudado o assunto com particular atenção
e, ao ler as opiniões dos “experts” no assunto, me surpreendi com conceitos
muito, muito diferentes dos de poucos anos atrás e, curiosamente, próximos
dos ensinamentos que Kardec nos passou há 150 anos.
Antes de mais nada, gostaria de lembrar-lhes as palavras dos Espíritos para
Kardec em “O Livro dos Espíritos”, relativamente a este tema:
Perg.: 684 – “Que pensar daqueles que abusam de sua autoridade para impor
aos seus inferiores um excesso de trabalho”? (podemos entender aqui estilo
de liderança autocrático de uma forma geral)
Resposta: É uma das piores ações. Todo homem que tem o poder de comandar, é
responsável pelo excesso de trabalho (podemos entender aqui outras formas de
abuso sobre os comandados) que impõe a seus subalternos, porque ele
transgride a lei de Deus”.
Baseado no princípio de Amor ao próximo (fundamento básico da ética), os
Espiritos conceituam a ética nas relações profissionais e de gestão como
obedecer (não transgredir) a lei de Deus. Que lei? A lei de Amor, Justiça e
Caridade sobre as quais os Espiritos tanto insistem em toda a obra de Kardec.
Vejam que o homem que comanda (gere pessoas) é responsável pelos excessos
que praticar sobre seus subalternos. Esta é a ética recomendada pelos
Espíritos.
Em contraposição à forma truculenta como foram conduzidas ao longo se
séculos as relações decorrentes da gestão de pessoas, vejam agora, conceitos
retirados do “Best seller”, “O monge e o executivo”. Este livro está nas
listas dos mais vendidos há semanas.
“Eu gostaria de desafiá-los esta semana a começarem a refletir sobre a
terrível responsabilidade que assumiram quando optaram por ser líderes. Isso
mesmo, cada um de vocês se comprometeu voluntariamente a ser pai, mãe,
esposo ou esposa, chefe, treinador ou treinadora, professor ou professora,
ou o que quer que seja. Ninguém forçou vocês a desempenhar nenhum desses
papéis, e vocês estão livres para deixá-los quando quiserem. No local de
trabalho, por exemplo, os empregados passam a metade do dia trabalhando e
vivendo no ambiente que vocês criam como líderes. Eu me admirava, quando
estava no mercado de trabalho, ao constatar a forma displicente e até
petulante com que os líderes desempenhavam essa responsabilidade. Há muita
coisa em jogo e as pessoas contam com vocês. O papel do líder é extremamente
exigente.
Mais adiante, no mesmo livro, encontramos:
— Se bem me lembro, Jesus simplesmente disse que para liderar você deve
servir. Acho que você poderia chamar isso de liderança a serviço. Lembre-se,
Jesus não usava o estilo de poder simplesmente porque não tinha poder. O rei
Herodes, Pôncio Pilatos, os romanos, toda aquela gente tinha poder. Mas
Jesus possuía muita influência, Ele nunca usou o poder, nunca forçou ou
coagiu ninguém a segui-lo.
E, mais adiante ainda, encontramos:
— Eu gostaria de usar a palavra amor.— A razão pela qual
frequentemente
nos sentimos desconfortáveis a respeito desta palavra, principalmente em
ambientes de negócios, é porque quando se fala em "amor" pensamos logo no
sentimento...... quando uso a palavra amor eu me refiro a um comportamento e
não a um sentimento.
Quem diria, há apenas alguns anos que um texto como este pudesse ser o
“bam-bam-bam” da moderna teoria administrativa?
Pois é, Amigos Espíritas, não é que a Humanidade está evoluindo mesmo? Os
princípios éticos de Jesus e dos Espíritos estão se tornando “best seller”.
Um abraço a todos,