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MATURIDADE PSICOLÓGICA Vladimir Figueiredo - BH/MG
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Vou tentar colocar algumas idéias no sentido de fazer um BRAIN STORM problematizando a questão para que identificando nossas mazelas possamos lutar contra elas.
Em primeiro lugar precisamos tomar consciência do que está ocorrendo e ser muito francos no sentido de criticar a nós e ao movimento espírita para que assim possamos construir algo real mas não utópico.
É fato que trazemos vícios de nosso passado religioso institucional. O maior deles sem dúvida alguma é o poder pelo conhecimento escravizando consciências. Será que não fazemos o mesmo hoje com a doutrina em nosso MOVIMENTO ESPÍRITA?
Quais os pontos de maior choque entre nossas concepções e dos demais religiosos? Sem dúvida alguma é a TEORIA DA REENCARNAÇÃO e a COMUNICABILIDADE COM OS ESPÍRITOS.
Tais conhecimentos no passado somente eram divulgados entre os INICIADOS das mais diversas seitas OCULTISTAS.
Será que não estamos fazendo o mesmo da doutrina?
Será que não estamos tornando a doutrina dos espíritos uma doutrina mística?
Não trocamos o PECADO pelo medo da OBSESSÃO?
Não trocamos o CÉU por NOSSO LAR?
Não estamos pregando uma fé exterior quando fazemos pressão para que as pessoas façam a reforma íntima sob a alegação de que o obsessor pode voltar?
Nossas discussões não tem sido demasiadamente eruditas?
Não estamos pregando o mal em vez de pregar o bem?
Não criamos o nosso DEMÔNIO dando o nome de ESPÍRITOS IMPUROS?
Não estamos deixando de sentir, de valorizar as perdas, as angústias, as tristezas, o " luto" com medo de entrar na faixa vibratório dos espíritos infelizes?
Afinal de contas estamos idealizando uma criatura fria que não sente, que tem respostas para tudo, que tem conduta e moral ilibadas como se fossem robôs programados?
Bem meus caros, creio que durante muito tempo pregamos, falamos nos centros espíritas muito mais por medo do que por amor.
Falamos muito mais de nossas dificuldades e imaturidade psicológica do que tudo!
Destaco IMATURIDADE PSICOLÓGICA. Falamos somente em espiritualização mas esquecemos que a melhor terminologia (por ser mais palpável) seria MATURIDADE PSICOLÓGICA.Porque? (vocês devem estar se perguntando)
A meu ver a palavra ESPIRITUALIZAÇÃO leva o indivíduo (principalmente o neófito) muito mais ao fanatismo do que a terminologia MATURIDADE PSICOLÓGICA.
Ora, o ser maduro psicologicamente ou em vias de, procura tomar consciências dos seus defeitos, das suas dificuldades, das suas angústias, das suas neuroses, das suas más inclinações e percebe que em tais situações sente males físicos que pela lei de causa e efeito imediatamente percebe através da ansiedade, da dor de estômago, da dor de cabeça, da irritação , enfim.
O indivíduo passa a se perceber melhor, não nega seus sentimentos, mas observa que certos posicionamentos lhe fazem mal.
Ora, percebendo isso ( ele que não é bobo) começa a pensar em mudar de atitude para ter uma qualidade de vida melhor. Não porque é bonzinho para os outros (conduta exterior - fé hipócrita) mas porque em primeiro lugar está fazendo bem para si próprio e em conseqüência para todos aqueles que vivem ao seu redor.
No livro dos espíritos no livro III (leis morais) encontramos respostas para o que é o bem, o que é o mal, como sabemos que não estamos praticando o bem, enfim...
As respostas são bem palpáveis.
Devemos parar de idealizar seres e utilizar o material que temos. As pessoas deste modo se sentiram melhores, mais bem compreendidas, alcançarão um maior auto-conhecimento, a auto-estima será melhor pois o prazer de viver também será.
Temos que parar de pregar a vida futura como se fosse somente uma realidade pós-morte. A vida futura começa a ser construída no presente. A vida futura é viver bem, com harmonia, com paz interior seja como encarnado ou como desencarnado.
Quando Jesus disse que seu reino não era deste mundo, também não disse que era exclusivamente do plano espiritual. Jesus realmente falava com propriedade pois estávamos ainda muito primitivos.
Precisamos desde já construir uma sociedade mais fraterna. Convencendo mais pelo amor do que pela dor.
Intrigante isso não. Jesus pregou o amor. Nosso movimento (contaminado pelos vícios) começou também a pregar a vida futura pela DOR contrariamente aos ensinos de KARDEC.
Prezados amigos, já sabemos que quem desencarna mal ( ou seja teve uma vida triste) estará na mesma condição no plano espiritual. Desta forma, nossa luta deve ser para aliviar as consciências através de uma doutrina que é de amor verdadeiro.
Deixemos de lado nossos personalismos, nossos vícios institucionais, nossa mania de mando de achar que coordenamos melhor. Preguemos o espiritismo sem nome : " SOU ESPÍRITA" . Vamos pregar as idéias, estimular os raciocínios dos leigos. Coloquemo-nos na condição de aprendizes com os leigos. Se nos perguntarem se acreditamos na reencarnação vamos responder que sim. Façamos a proposta de buscar com estas pessoas quais são as conseqüências morais de se crer na reencarnação. Deixemos que o leigo comande a conversação. Vamos nos colocar em uma postura de que nada sabemos. Vamos deixar com que o leigo pense que está nos ensinando, mas não nós a ele. Desta forma, ele se sentirá muito melhor, pois o conteúdo todo sairá de dentro deles.
Necessário que abandonemos a postura de tudo saber ou de que a DOUTRINA EXPLICA TUDO sob pena de cairmos no ridículo.
Vamos dar boas dicas de como se identificar uma boa leitura. Vamos informar quais as editoras confiáveis pois hoje tem muito lixo no mercado.
Minha humilde opinião é no sentido de que trabalhemos por uma maior conscientização e valorização das pessoas no sentido de que participem efetivamente do processo de sua MATURIDADE PSICOLÓGICA construindo no presente a VIDA FUTURA, fazendo em torno de si uma psicosfera harmoniosa e ideal para o trabalho dos espíritos superiores.
Preguemos o amor. O trabalho com amor.
Na condição de coordenador da tarefa do jornal " Voltando às Origens" do grupo da Fraternidade Irmão Ló de Belo Horizonte, tenho lutado para divulgar a doutrina informando de forma simples e clara, fazendo distribuições nas ruas dos bairros próximos ao grupo com sacolas (como na campanha do quilo) colocando os jornais nas caixas de correio democratizando assim as informações.
Em meu grupo participo de reuniões de estudos específicos que tem caráter rotativo (em termos de freqüentadores) sempre tendo uma postura de afastar o misticismo e colocar a doutrina em nosso cotidiano no sentido de que as pessoas busquem se observar e lutar para alcançar maturidade psicológica e dias desde já melhores.
Nosso grupo não utiliza a DENOMINAÇÃO ESPÍRITA. O nome somente é GRUPO DA FRATERNIDADE para que desta forma não passe sentimentos SECTARIOS.
A vaidade, o médium chefe, o guia infalível , os velhos vícios na minha opinião passam necessariamente pelo orgulho humano utilizando o CONHECIMENTO como INSTRUMENTO DE PODER. Precisamos abolir isso criando programas para que as pessoas desenvolvam em si e por sim próprias discernimento suficiente para chegar ou lutar por uma maturidade psicológica (maior humanização) sem o concurso de conselheiros de plantão que tem um conhecimento superficial da vida destas pessoas. Em certos casos,no atendimento fraterno é conveniente orientar a procura de um psicólogo e ou psiquiatra.
Somente através do estudo e debate das obras básicas destruiremos os antigo vícios e paradigmas pois utilizaremos a razão e a inteligência emocional participando do processo de amadurecimento do conjunto. UM POR TODOS E TODOS POR UM.