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Mundo íntimo em transição Fátima Ferreira
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“A
elaboração de novas idéias depende da libertação das formas habituais de
pensamentos e expressão. A dificuldade não está em novas idéias, mas em
escapar das velhas, que se ramificam por todos os cantos da nossa mente.”
A humanidade, neste início de milênio, mostra-se para muitos qual fosse imagem caótica, onde homens, de há muito equivocados, anseiam satisfazer seus desejos infindáveis, exaltando os sentidos, anestesiando carências.
Para alguns, trata-se de transição de ciclo, instante em que eclode na consciência a sede de alimento interior, na busca do criador.
Outros encontram nas conseqüências da globalização e das consecutivas transformações econômicas, políticas e sociais a necessidade de rever paradigmas, interconectar modelos.
Não se trata de identificar os que estejam certos e os que estejam equivocados. As lentes convergem para a mesma direção. Na didática do criador prevalece o bem, a luz e o progresso.
Os que nos antecederam no despertamento da ilusão, nos esclarecem que “opera-se presentemente um desses movimentos gerais destinados a realizar uma remodelação na humanidade... São as folhas que caem no outono e às quais sucedem outras folhas cheias de vida, porquanto a humanidade tem suas estações, como os indivíduos têm suas idades”(1) e cada qual está a observar sob o foco das próprias lentes.
Não havendo, portanto, a renovação integral dos espíritos, a modificação que se percebe nas disposições morais de muitos é sinal, mais do que suficiente, para os que, embora imperfeitos, apresentam-se maduros para a transformação. Caberá a estes vislumbrar, em profundidade, as conseqüências da crença na imortalidade da alma, pela compreensão de que a natureza não dá saltos e de que a vida futura começa a ser construída a cada nova atitude nossa. Adiar responsabilidades é perpetuar o estado de sofrimento geral.
A sagrada oportunidade da reencarnação, que enseja recursos para a educação do ser, reaproximando-o daqueles com os quais ou pelos quais se equivocou, agora em condições outras, de modo a permitir a retomada, deveria ser sorvida em gotas, preciosas demais que são para serem desperdiçadas nos antagonismos dos pontos de vista, que se alteram com os eventos.
Como as velhas mazelas do orgulho, presentes nas atitudes cotidianas porque arraigadas na intimidade, nos impedem de ver com clareza o tamanho da trave a nos empanar a visão, para identificar ciscos ínfimos no olho do outro, espíritos amorosos trabalharam com denodo a fim de que nos chegassem às mãos textos simples e profundos. Estes, vindos de diversas fontes, a nos conclamar para a necessidade da assertividade, do valor de aprendermos a dizer: “estou te agredindo quando desejaria te abraçar e pedir atenção”, exsudam de educadores inspirados a nos orientar as pesquisas para a interconectividade, a transdiciplinaridade, de modo a rever conceitos concretos e suas implicações, a nortear a importância da subjetividade.
Eis o que temos diante de nós: uma realidade caracterizada pela complexidade sintomática, de que é mais do que tempo de rever conceitos, planejar e reestruturar ações, direcionando-as para além de tudo aquilo que não se configure de modo sistêmico, modelo da criação.