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  O Momento pede Atitude

Daniel Valois

  valois@intergate.com.br

“A superação da rotina materialista exige esforço, mas também metas, ideais e comprometimento. Por isso a melhora espiritual não pode circunscrever-se a práticas religiosas ou a momentos de estudo e oração. Imperioso será assumirmos o compromisso de mudança e elevação conosco mesmo, senão tais iniciativas podem reduzir-se facilmente a experiências passageiras de adesão superficial, sem raízes profundas nas matrizes do sentimento”  (Ermance Dufaux (espírito), in “Reforma Íntima sem Martírio” , psicografia de Wanderley S. Oliveira – Editora Dufaux, 11ª edição/2006.

       O escritor Sílvio de Abreu, autor de várias novelas, disse nas páginas amarelas da Veja (21/2006) que  “a moral do país está em frangalhos”. Chegou a esta conclusão após analisar pesquisa de opinião, onde ficou claro que os brasileiros já não valorizam a honestidade, a retidão de caráter, achando que os personagens bonzinhos das novelas são “caretas”.

       “Não dá para aprofundar nenhum tema, porque o público não consegue acompanhar”, desabafa o escritor.

        É um sintoma que nos convida à reflexão.

        Por que atingimos níveis tão críticos? Será que educar é tão somente passar informação, instrução, conhecimentos? Onde ficam os sentimentos, as emoções, a ética, a religiosidade? Ermance responde na introdução, convidando cada um a assumir o compromisso que lhe cabe, na mudança de paradigmas.

          Dois mil anos antes dela, Jesus já formulara este convite à  humanidade, conforme reproduzido pelo evangelista Mateus, cap. 6, versículos 19 a 23, que conclui assim: “...se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas.”

           A função precípua dos olhos é ver. Enxergar já é uma ação das áreas da afetividade e do psiquismo. Vemos tudo, mas enxergamos o que desejamos e queremos... Então Jesus nos convidou a usar o bom senso, a honestidade, a ética, que são valores do SER, elaborações mais profundas do psiquismo, emolduradas pela afetividade, para nos tornamos verdadeiramente filhos de Deus, aprendendo a enxergar a vida com olhos de luz.        

         O pensador, filósofo e Codificador do Espiritismo, professor Hypolitte Leon Denizard Rivail, francês de Lyon, conhecido internacionalmente como Allan Kardec, formulou as seguintes perguntas aos sábios da Dimensão Espiritual: (O Livro dos Espíritos, perguntas  614 e 621)

         - “O que se deve entender por lei natural?”

         - “A lei natural é a lei de Deus; é a única necessária à felicidade do homem; ela lhe indica o que ele deve fazer ou não fazer. Ele só se torna infeliz porque dela se afasta”

         - “Onde está escrita a Lei de Deus”?

          -“Na consciência”, foram as respostas.

             Descartes, na terceira de suas Meditações Metafísicas , declara que a idéia de Deus está impressa no homem “como a marca do obreiro em sua obra”.

              As ferramentas da mudança estão dentro de nós – só falta atitude.

 

Daniel Valois

Prof. aposentado,

Conselho Regional Espírita de Florianópolis

     valois@intergate.com.br


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