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ATITUDES DE AMOR
Saara
Nousiainen
Nota da autora.
Quero informar, em primeiro
lugar, que este movimento vem ocorrendo desde o início deste
século XXI, e dele só tomei conhecimento recentemente. Portanto, meu
papel é apenas o de uma recém-chegada.
Como sempre é possível que alguém
levante dúvidas sobre a autenticidade da mensagem de Bezerra de
Menezes, inserida no início deste opúsculo, na qual ele fala
sobre o novo período do Espiritismo, prefiro não entrar no
mérito dessa questão, por entender que, se ela não fosse
autêntica, mereceria sê-lo; basta observar um pouco e refletir
mais um tanto, para perceber a sua lógica e sentir o quanto é
oportuna.
Assim, não percamos o trem da
história, gastando precioso tempo com especulações, mas
busquemos analisar com a mente, sentir com o coração e levantar
esta bandeira, porque ela reflete as nossas mais prementes
necessidades deste momento.
O movimento Atitudes de Amor
não tem donos. É plural e aberto, não institucionalizado.
Sua finalidade é a propagação e
aplicação de orientações procedentes do mundo espiritual,
endereçadas a todos os espíritas, que certamente irão
percebê-las de acordo com seus próprios conteúdos.
Muitos talvez digam que se trata
de esforços inúteis. Outros, que é um “movimento paralelo”
engendrado por opositores desencarnados, visando desestabilizar
o movimento espírita organizado. Muitos outros assimilarão da
mensagem apenas o que lhes interessa e outros tantos se manterão
indiferentes.
Muitos companheiros, no
entanto... realmente serão muitos os que sentirão em seus
corações a verdade dessas orientações e, movidos por
profundos impulsos de amor e de alegria, partirão para o
trabalho, com vistas a materializar tais idéias e entendimentos
nas suas vidas e atitudes, assim como nas instituições espíritas
em que labutam.
Em nome dos espíritos
responsáveis por este movimento, dos reencarnados já engajados e
dos outros que lhe deram início, recebamos todos nós as
boas-vindas ao trabalho e procuremos tornar-nos a cada dia mais
fortes, mais fraternos e solidários. Isto é necessário porque
qualquer mudança de paradigmas se faz acompanhar por inúmeros
obstáculos (muitas vezes provocados por adversários invisíveis),
por muito trabalho, muitas decepções, injustiças e ingratidão,
mas também por indefiníveis júbilos.
Pela oportunidade, por mais
ínfima que seja, agradecemos ao Senhor da Vida, ao Mestre Jesus
e aos espíritos benfeitores, que nos permitiram e possibilitaram
participar da realização deste pequeno trabalho.
Terceiro período
do Espiritismo
É fácil perceber que estamos
vivendo o final de uma civilização decadente, mas também já é
possível entrever prenúncios que indicam estarmos iniciando um
processo de transição para uma nova era ou, como disseram os
espíritos na codificação do Espiritismo, esse transitar seria de
mundo de provas e expiações para o de regeneração. Isto pode ser
observado nos muitos movimentos pela paz, pela ecologia, pelo
respeito aos diferentes, pela fraternidade, pelo amor, pela
vida. São movimentos que vêm surgindo em várias partes da Terra.
É a ciência descobrindo que a vivência dos valores da alma é
benéfica para o corpo, induzindo o ser humano ao perdão, à
fraternidade e à paz; e a Psicologia buscando caminhos
interiores para as pessoas conhecerem melhor a si mesmas e se
tornarem mais equilibradas, mais plenas. E tudo isso,
desvinculado de aspectos religiosos.
Procedentes do mundo espiritual,
vêm se materializando na Terra inúmeras obras psicografadas ou
“canalizadas”, não apenas nos meios espíritas. Nestas, temos o
excelente trabalho de benfeitores como Joana de Angelis, Hammed
e Ermance Dufaux. Fora do âmbito espírita, vamos encontrar
inúmeros autores cujos livros, traduzidos para vários idiomas,
alcançam grande número de edições, mostrando como atitudes
antifraternas e de negação da vida, do afeto e da alegria causam
inúmeros males, principalmente enfermidades. Outros realizam
extraordinários trabalhos de desenvolvimento espiritual, como o
Pathwork de Eva Pierrakos, canal através do qual falava uma
entidade espiritual de grande sabedoria, a quem chamavam apenas
de “o Guia”, visando mudar os padrões de pensamento, ensinando
as pessoas a se amarem e sentirem-se plenas, abrindo espaços
para o amor universal, a fraternidade e o contentamento.
Essa expectativa de transição, no
entanto, muda muita coisa, e é nos meios espíritas que devemos
estar mais atentos para o papel que nos cabe neste momento, em
virtude dos conhecimentos transcendentais da Doutrina professada
por nós, da assistência permanente dos espíritos benfeitores e
dos compromissos que assumimos com nossa própria consciência e
com aqueles que avalizaram nossa reencarnação.
Conforme Bezerra de Menezes,
estamos adentrando a terceira etapa do Espiritismo, na qual se
criará entre nós, seus adeptos, o período da ATITUDE. Nessa
etapa, pretende-se também a maioridade das idéias espíritas.
Essa informação está contida num
relato feito pelo espírito Cícero Pereira, no livro Seara
Bendita, psicografado pelo médium Wanderley Soares de
Oliveira (MG). Nesse relato Cícero descreve um memorável
encontro ocorrido no mundo espiritual, ao término do Congresso
Espírita Brasileiro de 1999, em Goiânia.
Desse encontro, conforme Cícero
Pereira, participaram mais de cinco mil espíritos desencarnados
e encarnados, quando então Bezerra, em nome do espírito Verdade,
apresentou uma série de diretrizes que representam verdadeiro
planejamento estratégico para o novo período do Espiritismo, que
se iniciaria com o novo século. Essas diretrizes, como se pode
perceber, estão inteiramente alicerçadas sobre o maior dos
valores defendidos por Jesus, o amor. Isto nos dá tranqüilidade
quanto à sua procedência, lembrando que o Mestre afirmou: “Pelos
frutos os conhecereis”.
Disse, então,
Bezerra, que o primeiro período do Espiritismo, de setenta anos,
constituiu a fase da consagração das origens e das bases em que
se assentam a Doutrina, as quais lhe conferiram legitimidade.
Os setenta anos seguintes
representaram o tempo da proliferação.
Com relação ao terceiro período,
de outros setenta anos, afirmou: “Esse novo tempo deverá
conduzir a efeitos salutares a nossa coletividade espírita,
criando entre nós, seus adeptos, o período da atitude. O
velho discurso sem prática deverá ser substituído por efetiva
renovação”; “O núcleo espiritista deve sair do patamar de templo
de crenças e assumir sua feição de escola capacitadora de
virtudes e formação do homem de bem, independentemente de
fazer ou não com que seus transeuntes se tornem espíritas e
assumam designação religiosa formal”; “A diversidade é uma
realidade irremovível da Seara e seria utopia e inexperiência
tratá-la como joio. Imprescindível propalar a idéia do
ecumenismo afetivo entre os seareiros, para que a cultura da
alteridade seja disseminada e praticada no respeito
incondicional a todos os segmentos”. (Grifos nossos)
Como podemos perceber por estas
rápidas pinceladas, as diretrizes trazidas por Bezerra são de
molde a mudar paradigmas e essas mudanças são absolutamente
necessárias para podermos acompanhar a transição em andamento,
porque transição sempre muda muita coisa.
Podemos observar também que o
discurso de Bezerra foi todo vazado numa linguagem muito forte,
peremptória, imprópria de seu estilo suave, porque naquele
momento, como informado, ele estava transmitindo o pensamento do
Espírito Verdade, em orientações de grande importância e
seriedade para o movimento espírita.
Já o detalhar dessas diretrizes,
quanto a formas, roteiros e procedimentos, vem sendo trazido do
mundo espiritual por diversas vias, principalmente através do
espírito Ermance Dufaux, nos livros psicografados por Wanderley
S. Oliveira (MG), tais como Mereça ser Feliz, Laços de
Afeto, Reforma Íntima sem Martírio e Unidos pelo Amor,
editados pelo INEDE (MG), representando poderosos instrumentos
para o desenvolvimento dos valores da afetividade e crescimento
interior do ser.
Ermance, em sua última
encarnação, foi uma das médiuns da codificação. Hoje, ao lado de
Bezerra de Menezes, Eurípedes Barsanulfo, Maria Modesto, Cícero
Pereira e outras entidades de escol, vem trabalhando
intensamente para difundir essas novas idéias, visando a sua
materialização nos ambientes espíritas, pois conforme disse
Bezerra, referindo-se ao novo período do Espiritismo, “o núcleo
espiritista deve sair do patamar de templo de crenças e assumir
sua feição de escola capacitadora de virtudes e formação do
homem de bem”.
Bezerra refere-se às instituições
espíritas como “templos de crenças”. O que isto significa?
Certamente ele se refere à crença
no conhecimento espírita em ambiente de templo, onde nos
reunimos para manifestar nossa fé, dentro das diretrizes do
Espiritismo. Até este ponto, tudo está certo, mediante nossa
visão atual. Mas é bom observar que, nesse ambiente da nossa fé,
há muita disputa de variada natureza, e há aquela idéia de que
somos os únicos detentores da Verdade, por cuja pureza devemos
lutar “com unhas e dentes”, porque nela está a salvação da
humanidade.
É nesse momento que Bezerra, com
muita clareza, apresenta um novo paradigma, pelo qual o centro
espírita deverá sair desse patamar de mero “templo de crença”,
para se constituir uma “escola capacitadora de virtudes” e
formação do homem de bem.
Reflitamos juntos sobre o
significado destas palavras.
Fica claro que capacitar o ser
para a vivência das virtudes é mais importante do que a crença
que ele possua, porque a humanidade, para evoluir, necessita de
“homens de bem”, sendo de somenos importância o que acreditam em
termos de religião. Não é alguma doutrina ou religião que vai
salvar o mundo, mas sim o próprio homem, quando se tornar mais
fraterno e ético. Assim, o foco principal do Espiritismo, ou das
atividades espíritas, deverá sair do emaranhado de discussões
doutrinárias que a nada de bom conduzem, passando a ocupar-se
com mais intensidade do seu aspecto de escola, na qual se
aprende a vivenciar o amor, a fraternidade, a alteridade, a
honestidade, a ética e demais virtudes que fazem do ser uma
presença sempre benéfica.
Com essa mudança, os espíritas
estarão praticando verdadeiramente o amor ao próximo e atuando
com mais segurança na transformação do ser humano.
Alteridade
Mas o que significa essa
alteridade de que fala Bezerra?
Esse é um termo que vem sendo
cada vez mais utilizado não apenas nos meios espíritas, e seu
significado reflete uma nova mentalidade, aquela que irá vigorar
na civilização que deverá transformar a Terra num mundo de
regeneração, porque se refere à aceitação das diferenças; também
significa a não-indiferença, o aprender com os diferentes, o
amar e acolher o outro, aceitando e respeitando as suas
diferenças.
É uma palavra que representa, em
sua profundidade, as leis cósmicas de convívio entre os seres.
A pessoa que a vivencia passa a
ser mais fraterna em todos os sentidos, deixando de criticar,
julgar, agredir, excluir, desprezar...
A não-crítica, a não-agressão, o
não-julgamento deixam o ser em paz consigo mesmo, com a
humanidade, com a vida.
Muitos poderão contestar dizendo
que atitudes assim tornam a criatura alienada. Mas há grande
diferença entre analisar de forma construtiva e julgar,
criticar, marginalizar, excluir, desprezar, enviar uma vibração
negativa para o que, ou a quem, se considera inferior ou errado,
seja ele uma pessoa, uma instituição ou uma nação, já que as
instituições e as nações são formadas por pessoas.
O ser humano, dentro dos seus
critérios de crítica, habituou-se a tudo rotular. Assim, vendo
os outros sob o enfoque dos rótulos que lhes colocamos,
geralmente irreais, quase sempre mantemos esses enganos durante
toda a vida. Por exemplo, se em algum momento concluímos que
“fulano” é preguiçoso, estamos lhe colocando esse rótulo e, a
partir de então, sempre o teremos na conta de preguiçoso, a não
ser que algum fato novo venha nos provar o contrário.
Pense por alguns instantes, caro
leitor, sobre quais rótulos os outros lhe terão aplicado...
Numa postura alteritária, os
rótulos tendem a desaparecer, porque passamos a ver o outro como
alguém que vem de longos percursos reencarnatórios, assim como
nós mesmos, tendo aprendido muito com as lutas, dores e alegrias
dos caminhos, mas ainda com muitas falhas, um tanto imaturo em
termos de evolução e necessitado de crescer interiormente,
exatamente como nós próprios. Assim, podemos mais facilmente
amá-lo apesar das diferenças, respeitando seu inalienável
direito de ser como deseja, porque tudo é aprendizado no bojo da
vida.
Quanto aos relacionamentos nos
meios espíritas, voltemos às sábias palavras de Bezerra: “A
diversidade é uma realidade irremovível da Seara e seria utopia
e inexperiência tratá-la como joio. Imprescindível propalar a
idéia do ecumenismo afetivo entre os seareiros, para que
a cultura da alteridade seja disseminada e praticada no
respeito incondicional a todos os segmentos”.
Sendo pois a “diversidade uma
realidade irremovível da Seara”, importa que todos os segmentos
se dêem as mãos fraternal e alteritariamente, despreocupados de
detalhes ou diferenças doutrinárias, e voltem-se para cuidar com
todo esmero da questão fundamental: desenvolver amor nos meios
espíritas, porque é ele, o amor, o mais importante de
tudo. Aqueles que dão grande importância aos detalhes
doutrinários, quando aprenderem a amar verdadeiramente,
encontrarão meios pacíficos e agregadores para debater suas
idéias e tentar convencer os que entendem estar em erro.
A propósito, os segmentos citados
por Bezerra refletem as diversas tendências existentes no
movimento espírita: os que pugnam pela “pureza doutrinária”, os
que seguem as idéias de Roustaing, os que se identificam com o
pensamento de Ramatís, de Pietro Ubaldi, de Edgar Armond, os que
têm maiores afinidades com Chico Xavier, etc.
Amor
Se refletirmos minimamente sobre
a situação do nosso movimento, perceberemos logo que o seu maior
e mais doloroso problema está na ausência de amor, de afeto nas
relações entre os companheiros e destes para com os que procuram
a casa espírita, necessitados de ajuda. No entanto, o Mestre
recomendou enfaticamente: “Amai-vos uns aos outros”. E informou:
“Meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem”.
Diante desta tão simples
constatação, podemos perceber que a ação mais importante e
urgente está em desenvolver-se amor e afeto nos nossos meios.
O amor, em termos de evolução, é
tão importante quanto o próprio ar que respiramos. Informam
espíritos benfeitores que, nas dimensões espirituais mais
elevadas, a sua nutrição está essencialmente no amor. O grande
apóstolo Paulo de Tarso disse: “Ainda quando eu falasse todas as
línguas dos homens e a língua dos próprios anjos, se não tiver
amor serei como um bronze que soa, ou um címbalo que retine.
Ainda quando eu tivesse o dom da profecia, que penetrasse todos
os mistérios e tivesse perfeita ciência de todas as coisas, e
ainda quando tivesse toda a fé possível até o ponto de
transportar montanhas, se não tiver amor, nada sou”.
Prestemos atenção nestas
palavras: “...que penetrasse todos os mistérios e tivesse
perfeita ciência de todas as coisas, se não tiver amor, nada
sou”.
Pergunto: Por que nos meios
espíritas se valoriza tanto o estudo doutrinário, ou seja, “o
penetrar nos mistérios e aquisição da perfeita ciência de todas
as coisas”, e tão pouco se trabalha para desenvolver amor? Por
que, com tantas possibilidades educativas do mundo moderno,
quando a Psicologia e outras ciências vêm apresentando inúmeros
recursos para ajudar o ser humano a trabalhar de forma positiva
seus sentimentos, a ter mais equilíbrio, a viver melhor consigo
e com os outros, o movimento espírita organizado não prioriza a
vivência do Espiritismo, o crescimento interior, a geração de
amor entre os trabalhadores da seara, os freqüentadores e as
instituições?
O estudo doutrinário certamente é
importante, porém mais ainda que esse mero estudo é a sua
prática, a vivência daquilo que ele nos ensina.
Quantos de nós temos a cabeça
cheia de conhecimento espírita, mas o coração vazio de amor!
Isto representa desequilíbrio evolutivo, dificultando ou
atrapalhando a caminhada.
O conhecimento que trazemos
sinaliza para a prática do bem, da caridade. Esse já é um passo
importante. É quando começamos a refletir luz, mas ainda não
temos luz própria.
Mas quando começamos a
desenvolver amor em nossos sentimentos, em todo o nosso
interior, e este passa a irradiar-se de nós, refletindo-se em
nossas atitudes, então começamos a ter luz própria, porque amor
é luz de Deus.
Quando o movimento espírita
passar a dedicar-se à vivencia dos ensinamentos do Mestre e do
Espírito Verdade, então, sim, estaremos fazendo um espiritismo
verdadeiro, com luz própria. Por enquanto essa luz ainda
permanece um tanto quanto escondida nas páginas da codificação.
Vejamos a esse respeito alguns
trechos extraídos dos livros de Ermance Dufaux.
“Amar é uma aprendizagem.
Conviver é uma construção.”
Será que, nas atividades da casa
espírita, somos conduzidos a essa aprendizagem do amor? Será que
somos “trabalhados” no sentido de convivermos cada vez melhor?
Há reuniões sistemáticas visando a esse desiderato, de forma
realmente prática e proveitosa? Estamos construindo um convívio
verdadeiramente fraterno e alteritário?
“Não existe amor
ou desamor à primeira vista, e sim simpatia ou antipatia. Amor
não pode ser confundido com um sentimento ocasional e
especialmente dirigido a alguém. Devemos entendê-lo como O
Sentimento Divino que alcançamos a partir da conscientização de
nossa condição de operários na obra universal, um “estado
afetivo de plenitude”, incondicional, imparcial e crescente.”
O amor realmente só o é quando
incondicional, imparcial e crescente. É como uma fonte sempre em
estado de doação, sem guardar-se para uns ou outros. Quem ama
não necessita de que o amem, porque o amor verdadeiro nutre-se
nas fontes do amor divino, ou cósmico.
Se refletirmos um pouco, podemos
perceber o quanto o nosso amor é ainda um simulacro, mas
conforme diz Ermance, é uma aprendizagem, portanto podemos
aprender a amar. Mas para isso não bastam meras leituras ou
estudos, é preciso muito mais. As leituras e estudos geram
predisposição, mas realizar a construção do amor na intimidade
do ser a irradiar-se nas atitudes do cotidiano pede firme
decisão e exercício contínuo. Para tanto, os centros espíritas
podem organizar reuniões e oficinas, nas quais os participantes,
unindo esforços e ideais, encontrarão inúmeros recursos que os
ajudem efetivamente nessa construção.
“Mesmo entre
aqueles que a simpatia brota instantaneamente, amor e
convivência sadia serão obras do tempo, no esforço diário do
entendimento e do compartilhamento mútuo do desejo de manter
essa simpatia do primeiro contato, amadurecendo-a com o
progresso dos elos entre ambos”. (...) “Relações exigem cuidados
para serem edificadas no amor, e esse aprendizado exige os
testes de aferição no transcorrer dos tempos.”
Uma instituição espírita que
queira ter um ambiente fraterno e de bom convívio entre seus
membros e freqüentadores precisa desenvolver ações nesse
sentido, intentando a educação dos sentimentos entre todos que
por ali transitam. O mero conhecimento doutrinário e estudos do
Evangelho não são suficientes. Quantos irmãos das mais diversas
religiões que conhecem de cor os textos bíblicos e sabem citar
exatamente onde se encontram tais e quais dizeres do Evangelho
vivem de forma absolutamente antifraterna, gananciosa,
orgulhosa...
A cabeça cheia de conceitos
espíritas só tem valor quando em sintonia com o coração, e
refletindo-se nas ATITUDES.
“A terapêutica do amor é, sem
dúvida, a melhor e mais profilática medicação do Pai para seus
filhos na criação. Compete-nos, aos que nos encontramos à míngua
de paz, experimentá-la em nossos dias, gerando fatos abundantes
de amor, vibrando em uníssono com as sábias determinações
cósmicas estatuídas para a felicidade do ser na aquisição do
glorioso e definitivo título de Filhos de Deus.”
Ermance fala em gerar fatos
abundantes de amor..., mas para isso necessitamos desenvolvê-lo
em nós.
Mas se entendermos que bastarão
pequenas ações aqui e ali, estaremos apenas nos enganando. Para
que o amor venha a fluir de nós, assim como as águas fluem de
uma fonte, é preciso priorizar a abertura de canais para o mais
Alto e assim, nutrindo-nos no amor universal, aprender a
estabelecer a sua presença em nós, a dinamizá-lo, a imprimi-lo
em todo o nosso ser.
Um bom exercício para desenvolver
esse sentimento divinal é acostumarmo-nos a olhar para qualquer
pessoa, seja quem for, e sentir por ela afeto, carinho,
desejando-lhe tudo de bom. Isto fica mais difícil quando se
trata de algum desafeto ou alguém com aspecto de pessoa má ou
desagradável, mas é justamente aí que começamos a vivenciar o
amor incondicional. Esse exercício tem vários efeitos benéficos,
porque imprimir amor nos sentimentos nos eleva a freqüência
vibratória, livrando-nos da sintonia com irmãos das sombras;
fortalece nosso sistema imunológico, conforme a ciência vem
constatando, proporcionando mais saúde e bem-estar, além de
favorecer a grandiosa construção desse sentimento em nós, o mais
importante dos valores, priorizado por Jesus quando formulou o
maior de todos os mandamentos, dizendo: “Ama a Deus sobre todas
as coisas e ao próximo como a ti mesmo”.
Mas há algo muito importante a
ser observado, com relação ao amor. Ele necessita de sabedoria
para haver equilíbrio. O amor e a sabedoria formam as duas asas
da evolução e nada decola só com uma asa.
Disse o espírito Miramez que a
caridade só deve ir até onde não se faça em ninho para
aproveitadores.
Muitos erros se têm cometido em
nome do amor, quando este passa a acobertar a omissão. Mas
quando amamos verdadeiramente, nosso foco será sempre o melhor
para os objetos desse amor, mesmo que tenhamos de tomar medidas
ou atitudes aparentemente opostas. Os pais que realmente amam
seus filhos, muitas vezes, terão de negar-lhes algo ou até mesmo
castigá-los, visando encaminhá-los para condutas mais adequadas
e para aquisição de valores éticos, morais e espirituais, ou
seja, o melhor para eles.
Assim, convém meditar sobre esses
meandros todos, a fim de nunca nos tornarmos omissos e para que
a nossa mente aprenda a pensar com amor, e o nosso coração a
amar com sabedoria.
Mais uma razão importantíssima
para trabalharmos intensamente no sentido de gerar amor é o
estado espiritual da nossa humanidade atual, que criou em torno
do planeta um ambiente de pesadas vibrações, geradas
principalmente pelo tipo de emoções vivenciadas por grande
número de pessoas, induzidas por filmes violentos, amorais e de
horror; por jogos que a juventude “curte” adoidadamente, nos
quais matar se torna diversão; por noticiários sobre crimes e
acidentes, etc. Sabemos que esse “astral” pesado que vibra nos
ambientes da Terra influencia a humanidade, levando-a mais e
mais a afundar-se nesse abismo. Se sabemos de tudo isso, é fácil
entender qual a nossa responsabilidade. Assim, gerando amor, que
é a mais poderosa das vibrações luminosas, estaremos colaborando
grandemente para eliminar um pouco dessa sombra, substituindo-a
por luz.
Santificação de adorno
Quando tomamos contato com o
Espiritismo e passamos a participar de reuniões, ouvir
palestrar, ler livros espíritas, encantamo-nos com a beleza
dessa Doutrina e ingressamos nessa corrente que visa à evolução
do ser, à transmutação de valores negativos em positivos. E, com
o passar do tempo, sutilmente também vamos incorporando às
nossas atitudes exteriores a “santidade de adorno”, da qual fala
Ermance Dufaux no livro Reforma Íntima sem Martírio. Isto
ocorre por assimilarmos aquelas idéias, que fluem como “clichês”
nos nossos ambientes, de que o espírita precisa ser assim ou
assado, que não pode isso, não pode aquilo. Então, sem nem
perceber, acabamos por apresentar comportamentos que ainda não
têm raízes mais profundas no terreno da alma. A adoção de
máscaras de uma santidade irreal é muito natural no nível
evolutivo em que nos encontramos, mas prejudica muito nossa
evolução, além de nos causar profundas decepções quando
retornarmos ao mundo espiritual.
Além disso, estamos no limiar de
uma nova era para a humanidade e ingressando num novo período
para o Espiritismo. Portanto, é hora de começarmos a nos olhar
com muita clareza e verdade; mergulhar em nosso interior, além
de qualquer máscara, e sem qualquer constrangimento diante de
tantos valores negativos, tantas manhas e artimanhas que iremos
observar nesse mergulho, e iniciar o trabalho do nosso
crescimento consciente como seres cósmicos que somos. E será
esse próprio crescimento que irá nos levar firmemente a retirar
as velhas máscaras, mas não com aquela postura habitual em cujo
bojo está a sutil intenção de que os outros nos vejam como
portadores da tão decantada virtude, a humildade.
Esse é um passo dificílimo,
principalmente para quem é visto como um “bom espírita”, e para
quem ocupa posições de destaque nas atividades, ou dentro da
instituição.
Então, pergunto sobre o que é
mais importante: crescer no conceito da nossa comunidade, mas
sofrer no além-túmulo, carregando seqüelas para as futuras
encarnações, ou conduzir-nos (nos pensamentos, atitudes,
palavras, sentimentos e ações) visando tão somente buscar nosso
crescimento interior, apoiando-nos, inclusive, uns nos outros,
para mais facilmente podermos alcançar nossas metas, sem recear
julgamentos humanos, nem mesmo discriminações?
Essa segunda opção certamente é
bem mais difícil, mas de que vale caminhar por caminhos mais
fáceis quando encarnados, para depois sofrer no mundo espiritual
e ter de recomeçar tudo em futuras encarnações? Aqui cabe
lembrar aquela conhecida exortação de Jesus: “Entrai pela porta
estreita, porque larga é a porta que leva à perdição”.
Se não entrarmos por essa porta
estreita, além de atrasar nossa própria evolução, estaremos
também engessando a daqueles que seguem conosco e que podem
estar vendo em nós modelos ou líderes.
Cultura do
sofrimento
No livro Reforma Íntima Sem
Martírio, Ermance, falando sobre o sofrimento, assim se
expressa:
“O culto à dor
tornou-se uma cultura nos ambientes espíritas. Condicionou-se a
idéias de que sofrer é sinônimo de crescer, de que sofrer é
resgatar, quitar. Portanto, passou-se a compreender a
“dor-punitiva” como instrumento de libertação, quando, em
verdade, somente a dor que educa liberta. Há criaturas dotadas
de largas fatias de conhecimento espiritual sofrendo
intensamente, mas continuam orgulhosas, insensatas, hostis e
rebeldes.”
Se nossa humanidade está
transitando de mundo de provas e expiações para a condição de
regeneração, está claro que a nossa mentalidade também precisa
ser reformulada, para atender com segurança as necessidades
dessa transição. Se continuarmos engessados no pensamento
antigo, calcado na temática do sofrimento como necessidade
expiatória, como poderemos trabalhar pelo novo modelo?
Aquela idéia de que “vamos sofrer
resignadamente porque receberemos recompensas no mundo
espiritual” está começando a mudar para um discurso mais
saudável e progressista: “vamos buscar o nosso crescimento
interior, desenvolver nossas qualidades superiores, nossas
potencialidades e principalmente o amor; ajudar a comunidade,
procurando levar-lhe as verdades espirituais, além de trabalhar
visando conscientizá-la quanto à importância da sua participação
na transformação do mundo; auxiliar o ser humano a comandar seus
estados de espírito, a erguer-se e caminhar com os próprios
pés”.
É a cruz transformando-se em
instrumento de trabalho, de crescimento e de alegria.
A “cultura do sofrimento” nos
oprime, a da “auto-ajuda” nos dá vitalidade, alegria e promove
saúde e bem-estar, tornando-nos seres mais plenos.
Pela “cultura do sofrimento”, o
espírita não deve ser uma pessoa feliz, alegre, de bem com a
vida, e não deve vivenciar prazeres, nem mesmo os mais
inocentes, mas ter sempre presente a sua realidade de “grande
devedor”, que, por misericórdia divina, está tendo a
oportunidade de carregar seu pesado carma, arrastando-o vida
afora, com as lágrimas escorrendo pelo rosto ou sufocadas em
angústias interiores, e a esperança de vir a ser feliz depois
que retornar ao mundo espiritual.
A propósito, aqui cabe uma
perguntinha: será que Deus é misericordioso, ou tão somente nos
AMA? Quem ampara alguém por amá-lo não está usando de
misericórdia, mas vivenciando seu amor.
Quanto à “cultura do sofrimento”,
será que Deus criou os seres para sofrerem?
Já a auto-ajuda, ao contrário do
que muitos espíritas entendem, significa desenvolver recursos
internos para transformar velhas viciações da alma em valores
positivos, naqueles mesmos que Jesus ensinou; buscar meios para
construir em si mesmo a paz, a harmonia e o equilíbrio; cuidar
melhor do interior, para que o corpo responda com saúde e
bem-estar.
Cultivar estados de espírito
leves, otimistas, fraternos, confiantes, de esperança e de
contentamento, representa poderosa ajuda que podemos dar a nós
mesmos.
E lembremos que o Mestre sempre
dizia: “Levanta-te e anda”. Que lição terá desejado nos ensinar
com tal atitude?
O grande papel do sofrimento e
das dificuldades não é, pois, o da mão que castiga, mas sim o do
professor que ensina a ciência do bem-viver.
As responsabilidades que
assumimos com o trabalho na seara espírita e o respeito que lhe
devemos não precisam revestir-se com ar carrancudo, mas devem
refletir-se em atitudes que iluminam, levantam, fortalecem,
tornando o ambiente mais fraterno e mais feliz.
Cultura da
conformação
Mas a “cultura do sofrimento”
também carreia outras posturas com aspectos negativos, tais como
a da conformação.
Por certo é importante aceitarmos
o sofrimento que não pudermos mudar, mas há diferenças entre
aceitar e conformar-se, como também é indiscutível que podemos,
sempre, mudar nossa vida para melhor, começando por
melhorar os próprios estados de espírito e as atitudes. E, mesmo
aceitando o sofrimento como necessário à evolução, ou como
retorno de atos do presente ou do passado, devemos recebê-lo
como lição e não como carga.
Por esses novos enfoques, podemos
também perceber a importância de começarmos a mudar aquele tom
que é usado em alguns centros espíritas, o da voz melíflua,
chorosa, piegas, orientando para a conformação, colocando como
exemplo os sofrimentos de Jesus e acenando com as recompensas
futuras. A nova civilização que está para nascer pede discursos
diferentes, aproveitando, inclusive, o melhor que já existe na
área do conhecimento humano, visando ao crescimento da criatura
em toda a sua plenitude.
Assim, entendemos que é hora de
começarmos a abandonar algumas idéias equivocadas, como aquelas
de comprar um lugar no Céu, ou na colônia espiritual Nosso Lar,
através da conformação, uma postura estagnante que ainda voeja
nas cabeças de muitos espíritas, quando entendem ser necessário
sofrer a fim de purificar a alma, ou para pagar culpas do
passado, como se apenas pagar essas culpas fosse o suficiente
para elevar alguém a planos mais luminosos.
Certamente, no novo modelo que
deverá nortear o mundo de regeneração, serão utilizados caminhos
outros, que não apenas a dor, para a evolução dos seres.
A largueza de vistas do
Espiritismo mostra ao ser humano que ele deve buscar a
felicidade, o bem-estar, o contentamento, desde que não arranhe
a ética cósmica, ou seja, as leis de Deus.
Crescimento
interior
Embora ninguém
possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode
começar agora e fazer um novo fim. (Chico Xavier)
Em nossa orgulhosa imaturidade,
sempre acreditamos que sabemos tudo.
Se nos chega às mãos algo, uma
mensagem, um livro, que trata de questões relacionadas com a
nossa reforma moral ou crescimento interior, de imediato nos
domina a idéia de que nada ali será novidade para nós, que já
conhecemos tudo a esse respeito. Isto se explica em razão dos
nossos percursos mais ou menos longos no estudo do Evangelho e
seus desdobramentos.
Mas quando nos debruçamos sobre
trabalhos como esses da coleção de livros do espírito Ermance
Dufaux, começamos a perceber neles novos enfoques, novos
desdobramentos, objetivos práticos e podemos dizer, com
tranqüilidade, que estamos diante de novos paradigmas. Em
seguida, observamos o quanto estamos necessitados de transformar
velhas idéias (que foram boas para a época em que dominaram) em
novos rumos, em novas vivências, em novas atitudes.
E essas mudanças, percebemos,
precisam ser radicais.
Dessa forma, decididos a
trabalhar pela nossa renovação, começamos a procurar mais
recursos para nos alavancar os propósitos. O Mestre disse: “A
quem bate, abrir-se-á; quem procura, encontra”.
Um desses recursos encontramos
numa palestra no Fórum Espírita de Pernambuco, em 2004, quando o
Lama Padma Samten, falando sobre compaixão e amor pela ótica
budista, nos dá uma nova dimensão a esses valores.
Pela sua extensão, que não
caberia num trabalho como este, reproduzimos apenas o final da
palestra:
“Digamos que alguém olha para uma
planta que se encontra num vaso dentro da casa. Pelo olhar
compassivo, em vez de observar se gosta dela ou não,
pergunta como é que ela se sente sem a luz do sol, a água da
chuva e sem as suas plantas amigas e companheiras.
Quando olhamos uma planta
pensando se gostamos dela ou não, nossa mente opera obstruída
pela sensação de gostar ou não gostar.
Uma inteligência maior é olharmos
para aquela planta perguntando do que ela necessita. E mais do
que isso, nós podemos olhá-la e ver, com os olhos do bom
jardineiro, quais as flores e frutos que essa planta tem
escondida dentro dela e que ela mesma não sabe.
Quando, em algum momento da nossa
infância, alguém (nossos pais, professores ou qualquer outra
pessoa) nos olhou e viu em nós as sementes e flores que tínhamos
dentro de nós e não sabíamos, amorosamente umedeceu a terra onde
vivíamos, para que pudéssemos crescer e nos desenvolver. A essa
capacidade, essa inteligência de olhar o outro e reconhecer nele
qualidades positivas, a isso, no budismo, chamamos de amor.
Olhar o outro e ver o que afeta a
existência dele, para nos manifestarmos de forma positiva e para
remover os obstáculos, isso é compaixão; para promover as
qualidades positivas, isso é amor.
Existem cinco formas de compaixão
apresentadas pelo budismo, através de cinco cores.
A primeira é o azul. Através
dessa cor, nós olhamos para o outro e o acolhemos; também
perguntamos quais as flores e frutos escondidos nesse ser.
Temos a compaixão amarela, de um
amarelo-dourado, que significa generosidade, riqueza, meios.
Então, quando vamos ajudar alguém, nós podemos não somente
ouvi-lo, entendê-lo, aspirar ao bem, mas podemos eventualmente
fazer algo mais.
Vamos supor, como acontece lá no
sul do Brasil, de tanto em tanto, que o rio subiu e a casa foi
destruída. Podemos visitar o desabrigado e dizer: “Você não se
preocupe tanto... isto passa”. É uma boa ajuda, mas, com a cor
amarela, podemos auxiliar para que passe mais rápido, oferecendo
um suporte prático.
Depois temos a cor vermelha, que
simboliza o eixo. Ela vem da sedução, daquilo que nos encanta.
Então, que possamos produzir no outro um encantamento positivo,
um eixo positivo. Assim, a cor vermelha vai nos ajudar a dizer
àquela pessoa que é melhor não reconstruir a casa no mesmo
lugar, porque o rio pode subir de novo. Dessa forma, muitas
vezes não basta que se ajude o outro a reconstruir, mas que o
ajude a fazê-lo numa situação melhor. Para isso precisamos da
sabedoria dos eixos. Para os nossos filhos, não podemos abdicar
disso. Não precisamos impor os eixos, eles não são impostos. Mas
se dissermos que não devemos ajudar o outro a criar uma
estrutura positiva, um referencial positivo, estaremos nos
omitindo e isso seria uma atitude sem compaixão.
Assim é muito necessário que
repitamos as palavras dos grandes mestres, que vivamos essas
palavras, estudemos isso e entendamos, ajudando os outros a
compreender como viver melhor. Se não ajudarmos ou outros nesse
sentido, isso será uma falha da nossa compaixão.
No entanto não bastam essas três
formas.
Há um momento em que vemos uma
criança puxando uma toalha com uma leiteira de leite fervente em
cima. Se não gritarmos, a criança puxa e se machuca. Quando
gritamos, nós não nos opomos à criança. Nós estamos a favor
dela. Quando dizemos: “Não faça isso”, nós interrompemos uma
ação negativa. Então muitas vezes é necessário manifestar o que
se chama a cor verde. No budismo, isso é chamado “a família
karma”, em que vemos a negatividade surgindo e a obstruímos. Nós
nos impomos diante da negatividade, interrompendo-a. Não somos
contra a pessoa, somos a seu favor.
E há ainda a cor branca, a
culminância da compaixão, porque, ainda que eu acolha, ainda que
propicie meios, ainda que ofereça eixos, ainda que obstaculize a
negatividade, se não revelar a natureza ilimitada, não tive a
compaixão, a generosidade, a amorosidade de descobrir essa
natureza ilimitada e oferecer às outras pessoas. Então as outras
compaixões são muito menores, são quase sem sentido.
O que dá sentido à vida é que
todos marchamos para a consciência da natureza última e vivemos
inseparáveis disso. A nossa vida não teria culminância, não
teria completude, sem a cor branca em que nós reconhecemos a
natureza ilimitada. Então, a compaixão maior é podermos oferecer
aos outros essa natureza.”
Por esses enfoques do Lama,
começamos a perceber que alguns valores cultivados por nós, aos
quais chamamos de piedade e caridade, geralmente nos situam
acima do outro, por isso estão precisando ser transmutados em
compaixão e em amor.
Se prestarmos atenção,
perceberemos quão infinitas vezes em nosso cotidiano podemos
usar essa compaixão tão bem explicada pelo Lama.
Por exemplo, quando vemos uma
pessoa feia, ou desagradável, colocamo-nos interiormente em
posição superior a ela. Mas se a olharmos com olhar compassivo,
pensando nas imensas dificuldades que deve enfrentar, por causa
da sua condição, enviaremos a ela uma vibração de simpatia, de
fortaleza, de soerguimento. Isto é muito melhor para nós e é bom
para ela.
Da mesma forma, ao nos depararmos
com um tipo mau, repugnante ou facínora, pelo olhar compassivo
veremos que seu espírito é da mesma essência que o nosso e que
apenas está vivenciando fases primárias em suas experiências
evolutivas, em patamares ainda degradantes, mas um dia sua luz
interior irá iluminá-lo por completo, como acontecerá também com
nós outros. Então lhe enviaremos uma vibração de afeto e de
indução ao bem.
Observe, caro leitor, as
profundas diferenças que existem entre a nossa “piedade” e
“caridade”, e a compaixão e o amor, vistos pelo enfoque budista,
que certamente deverá vir a ser também o do espírita.
Quando conseguirmos perceber as
profundas diferenças entre uma e outra e nos imbuirmos da
decisão de adotar a compaixão e o amor como atitudes
predominantes, em breve poderemos observar como o nosso
interior mudou.
Pense em quantos benefícios
haverá para o movimento espírita e para todos aqueles que, de
alguma forma, são alcançados por sua atuação, quando
conseguirmos vivenciar verdadeiramente esses dois valores.
Mas não espere o movimento
espírita adotar tais posturas para engajar-se junto com ele.
Decida-se, você mesmo, como unidade que é dentro do todo, porque
é de pequenas unidades, ou seja, de exemplos e vivenciamentos
que o bem vai se alastrando, podendo vir a alcançar dimensões
imprevisíveis.
Decididos, assim, a trabalhar
pela nossa renovação, acabamos também entendendo como é
importante começar a encarar nossa verdadeira face, porque já
estamos suficientemente amadurecidos; aprender a olhar para
dentro de nós com clareza e, apesar das inferioridades ali
encontradas, amar-nos mais do que nunca, a amar a nossa luz e
também a nossa sombra, porque tudo isto faz parte natural do
nosso crescimento.
Dessa forma, amando-nos,
compreendemos como é urgente darmos mais um passo, subirmos mais
um degrau e mudarmos velhos paradigmas que foram criados em
razão da nossa pouca idade sideral.
Ao invés de tentarmos “matar” em
nós o homem velho, que representa tudo de bom e de ruim que
vivenciamos ao longo dos milênios e das reencarnações e que
forma a estrutura do nosso psiquismo, devemos amá-lo e
conquistá-lo para transmutar suas sombras em luz.
A época não é de destruição, mas
de crescimento.
Crescimento interior na prática
No livro Laços de Afeto, Ermance pergunta:
“O centro espírita tem arregimentado um
programa para ensinar a transformação íntima? Tem havido clima
nos grupos para que os tarefeiros possam dialogar
construtivamente sobre seus conflitos?” “Temos nos iludido,
transferindo responsabilidades pessoais para as ações obsessivas
de desencarnados?” “Temos desenvolvido a razão, mas, temos
trabalhado o afeto?”
Qualquer ganho na evolução está
diretamente ligado ao crescimento interior, que também é caminho
para o equilíbrio e o bem-estar, mas isto não se dará apenas
pelo estudo doutrinário, a leitura de belas mensagens ou por
assistir a discursos emocionados.
É preciso ir além, estabelecer
programas, utilizar recursos outros, tais como reuniões ou
estudos interativos, além de oficinas com aplicação de
exercícios e técnicas já existentes e outras que forem criadas,
que possam efetivamente auxiliar a pessoa a transmutar valores
negativos em positivos.
A decisão de desenvolver
determinado valor e o trabalho contínuo nesse sentido, começam
proporcionando ganhos de superfície. Com a continuidade do
esforço, esses ganhos vão se aprofundando até alcançar o
inconsciente, gerando ali as devidas transformações que passam a
manifestar-se através do psiquismo em ATITUDES, não mais de
superfície, mas resultantes de uma nova realidade interior.
Tais resultados, no entanto, só
se conseguem mediante muito esforço e quando este passa a ser a
nossa grande prioridade.
Para tanto, os trabalhos em grupo
são os mais indicados. Há mais estímulo, os companheiros podem
trocar experiências, aprender uns com os outros, incentivar-se,
nutrir a contínua motivação, sem a qual fica difícil prosseguir.
Faz-se menção aos Alcoólicos Anônimos, que encontram sua força
justamente nas reuniões direcionadas ao fim proposto.
Um grupo que se reúne visando
crescer interiormente transforma-se numa força coletiva, pois
todos se ajudam mutuamente, e essa força é capaz de realmente
transformar o homem velho em novo.
Uma valiosa ferramenta para o
nosso crescimento interior está em começarmos a transmutar nossa
preocupação com a censura externa, aquela que nos fazem, para
uma interna; em sistematizar nossa consciência para estar sempre
de atalaia junto à mente, observando os pensamentos ainda em seu
nascedouro, para nos alertar a fim de lhes mudarmos o curso,
sempre que estejam fora das linhas do amor e da verdade. Da
mesma forma, com relação às palavras, emoções e ações. Quando
nos habituarmos a esse exercício de luz, estaremos dando firmes
e largas passadas nas trilhas da nossa evolução.
Os centros espíritas podem
encontrar muitas maneiras para desenvolver naqueles que circulam
entre suas paredes, uma cultura de crescimento interior.
Isto pode ser feito através de reuniões específicas, oficinas,
inserção desse tema nas reuniões, distribuição de folhetos
apropriados, exposição de cartazes, como por exemplo: “Pense nas
pessoas que estão neste ambiente e envolva-as numa vibração de
afeto, confiança e alegria”, “Quer evoluir? Passe a desenvolver
de forma contínua um estado de espírito fraterno e jubiloso”.
Se a diretoria de um centro se
reúne visando a determinado fim, certamente encontrará os
melhores caminhos para alcançá-lo.
Um livro que também poderá servir como apoio para
esse desiderato, é de nossa autoria e intitula-se
Crescimento Interior.
Em sua primeira parte,
apresentamos um roteiro, um modelo-sugestão para reuniões, que
pode ser adotado por grupos ou instituições ou, ainda, realizado
em casa, da mesma forma como se faz o Evangelho no lar. A
segunda parte é um manual individual.
Esse livro pode ser adquirido a
preço de custo nesta editora pelos grupos que o adotarem.
Uma forma prática
Uma maneira bem prática para
desenvolver valores como o amor e a alteridade, tão importantes
e mesmo fundamentais para a evolução espiritual do ser, é a de
imbuir-se continuamente desses sentimentos e, quando em
situações específicas, acrescentar a compaixão, naquela forma
como foi explicada pelo Lama Padma Samten.
Mas, para conseguir resultados, é
preciso exercitar-se muito. Ocorre que a grande dificuldade em
qualquer intento dessa natureza é a memória, ou a falta dela.
Geralmente só nos lembramos dos nossos propósitos depois de
praticada a ação, dita a palavra, ou gerado o pensamento em
desacordo com nossa intenção.
Digamos que alguém tem o hábito
de coçar a ponta do nariz e deseja corrigir-se. Isto se consegue
através de alguns passos: primeiro a memorização, depois a
vigilância constante e por último a ação, ou seja, o freio. Se
não memorizar essa decisão, não vai exercer a vigilância porque
não vai lembrar-se. Não exercendo vigilância, não conseguirá
evitar coçar o nariz.
E como podemos adquirir essa
memorização?
Há várias maneiras. Muitos a
conseguem trazendo-a continuamente ao consciente, lembrando-se
dela a todo instante. Mas, para a maioria das pessoas, essa
prática não dá bons resultados, porque, no fluxo do cotidiano,
acabamos esquecendo o objeto da memorização, pondo a perder a
oportunidade.
Há alguns anos, formamos um grupo
de pessoas dispostas a trabalhar pelo crescimento interior.
Iniciávamos a reunião com a discussão de um tema escolhido no
encontro anterior, como a paciência, o perdão, a humildade, o
medo, a depressão, a solidão, etc. Em seguida, fazíamos alguns
exercícios práticos e encerrávamos com um relax com
visualizações e induções positivas, sempre relacionadas à
vivência que estava em pauta.
Numa dessas reuniões, alguém teve
a excelente idéia de sugerir o uso de lembretes que nos
ajudassem a memorizar melhor o que estávamos desejando alcançar,
ou seja, a paciência, que tinha sido o tema do dia. Uns
escreveram a palavra “paciência” num pedaço de papel,
amarrotando-o e colocando-o no bolso ou na bolsa. Dessa forma,
ao botarem a mão no bolso ou bolsa e o encontrarem, iriam trazer
à memória a idéia da paciência, lembrando-se de que precisavam
ser pacientes. Outros adotaram o uso de outros tipos de
lembretes.
Como a impaciência era algo que
eu não conseguia dominar, por mais que viesse tentando ao longo
de muitos anos, resolvi fazer uma trança com pequenos cordões.
Enquanto ia trançando, mentalizava a seguinte idéia: sempre que
sentir ou olhar para esta trancinha, vou lembrar-me da
paciência. Depois de pronta, prendi-a no pulso. Até que ficou um
enfeite original... aos olhos dos outros.
Ao final da semana, percebi que
aquele lembrete estava sendo tão importante que resolvi
continuar e acabei usando a trancinha durante dois meses, até
conseguir fixar no consciente a idéia de que precisava ser
paciente.
Esse pequeno estratagema
ajudou-me em dois meses muito mais do que os muitos anos de
decisões sempre renovadas de desenvolver a paciência. A bem da
verdade, ainda não posso afirmar que sou uma pessoa paciente,
porque mudanças dessa natureza, em caráter definitivo, só se
conseguem em trabalho de longo curso e quando tais valores
alcançarem o inconsciente e ali se estruturarem. Mas o primeiro
e o segundo passos já foram dados com segurança.
Assim, imbuir-se continuamente
de sentimentos de amor, de fraternidade e de compaixão com
relação a tudo e a todos, representa formidável conquista para a
evolução espiritual do ser. E quando isto ocorre com
companheiros que militam na seara espírita, o benefício se
estende de forma imprevisível.
Outra forma de
colaborar
Se possuímos conhecimentos mais
avançados e sabemos que podemos colaborar mais efetivamente na
transição do nosso mundo para um modelo melhor, não apenas pelas
atividades comuns nos centros, mas também através da prece,
das vibrações e visualizações voltadas para a humanidade,
que estamos esperando para iniciar um amplo movimento nesse
sentido?
Você que é dirigente, trabalhador
da seara, freqüentador ou mero leitor de obras espíritas reflita
sobre a importância do momento que estamos vivendo. Lembre que a
nossa responsabilidade ante a coletividade se amplia à medida
que vamos adquirindo mais conhecimentos, capacidade e aptidões.
Pense o quanto pode ajudar, desenvolvendo vibrações benéficas
direcionadas à comunidade espírita e, mais ainda, quando
habituar-se a sempre enviar pensamentos e emoções positivos,
luminosos, para nossa humanidade e nosso planeta, acrescidos de
pedidos ao Pai Celestial para abençoar a nossa nave cósmica.
Essas vibrações, essas energias, irão somar-se a outras de igual
teor, o que irá ajudar, e muito, nesta difícil transição
planetária, que já está começando a dar seus primeiros sinais.
Quando a nossa vida pessoal ou a
de algum familiar está complicada, com dificuldades, que
fazemos? Além das providências cabíveis, o nosso pensamento se
volta sempre para o Alto, em busca da ajuda divina; muitas vezes
pedimos preces aos amigos, aos companheiros da Casa espírita, e
procuramos envolver a situação numa vibração benéfica.
Se a nossa Casa Planetária está
complicada, em dificuldades, por que não fazermos o mesmo? Se o
mundo vai mal, nós também sofremos com ele. Se a humanidade
caminha à beira de um abismo, nós estamos caminhando com ela.
Convocação
No prefácio de O Evangelho
Segundo o Espiritismo, o espírito Verdade faz uma grande
convocação, informando que os “tempos são chegados, em que todas
as coisas devem ser restabelecidas em seu verdadeiro sentido”.
Agora, se prestarmos atenção,
podemos perceber como nos últimos anos vem vertendo dos planos
superiores uma nova convocação. Desta vez, para a VIVÊNCIA dos
valores que foram apresentados por Jesus e por tantos outros
luminares, ao longo dos séculos. Estamos realmente adentrando um
período que deve priorizar as ATITUDES, em detrimento dos velhos
discursos.
Mas não pensemos, em nossa
natural vaidade, que essa convocação para a vivência do amor e
de valores éticos esteja destinada apenas a nós, espíritas. Ela
abrange a humanidade inteira e cada qual vem recebendo-a, ou
rejeitando-a, de acordo com seus próprios padrões psíquicos e
evolutivos.
Pergunto: De que forma iremos
nós, espíritas, interpretar e nos posicionar ante esse novo
chamamento, procedente dos planos mais elevados?
* * * * *
Em novembro de 2004, aconteceu em
Belo Horizonte um encontro de companheiros que, em contato com
os livros de Ermance Dufaux, haviam sentido, em profundidade, a
necessidade urgente e premente de trabalhar pelo próprio
crescimento em bases mais atuais e mais adequadas a esta época
de transição que estamos vivenciando. Mais de cem pessoas, das
mais diversas partes do país, trocaram idéias e experiências,
firmemente decididas a continuar desenvolvendo sentimentos e
ATITUDES de amor, de afetividade, de alteridade, de
contentamento e demais valores tão bem apresentados por Ermance,
como também de levar esse “trabalho” para o âmbito das
instituições nas quais militam.
Foi um evento inesquecível, no
decorrer do qual era possível sentir no próprio ar o amor, o
afeto e a alegria, em vibrações de poderosas motivações para a
continuidade desse trabalho que visa a algo muito difícil e que
sempre encontra inúmeros opositores, uma mudança de paradigmas.
Durante esse encontro, vários
companheiros narraram suas experiências relacionadas a este
movimento, dentre as quais destacamos a do CELUZ, cujo resumo
apresentamos, como exemplo que pode ser seguido por outras
instituições.
CENTRO ESPÍRITA LUZES NO CAMINHO – CELUZ
Travessa Mauriti, 726 –
Pedreira – Belém/Pará - Fone: (91)254-5940
Fundado em 04 de janeiro de 1981,
esse centro é adeso à União Espírita Paraense e administrado por
um modelo de colegiado, composto pelos diretores dos diversos
departamentos.
Possui quinze grupos de estudos
do chamado ESDE, onde enfoca o estudo do Evangelho Segundo o
Espiritismo e de O Livro dos Espíritos. Tem uma média
de 400 participantes ao todo. E destes, 120 são trabalhadores.
Possui cinco grupos de reunião
mediúnica, destinados ao apoio das diversas atividades do
centro: Crianças – Jovens – Adultos – Trabalhadores e Casos
Graves.
Realiza, há quase cinco anos,
atividades de autodescobrimento, para trabalhadores, através do
estudo da série psicológica de Joanna de Angelis, do Hamed e
ultimamente Laços de Afeto. Esta atividade está sendo
reestruturada e se chamará “O Despertar do Espírito”.
RESUMO DAS MUDANÇAS OCORRIDAS A
PARTIR DE JULHO 2004
O projeto Em Busca de Novos
Aprendizados foi elaborado todo ele com base nos ensinos dos
livros da Hermance Dufaux e teve seu início no dia 17 de outubro
de 2004, com uma organização voltada para quinze grupos de
estudos.
A partir de dezembro de 2004, foi
iniciada a construção de dois projetos, o de “ Relacionamento
Afetivo” e o de “Amor ao Próximo”, como coroamento da
preparação que tiveram em outubro, novembro e dezembro, com a
finalidade de abrir o coração ao amor, na prática. No final de
2005, avaliaremos o quanto se realizou.
O mesmo programa está sendo
aplicado no ex-núcleo Raio-de-Sol. Lá o grupo tem menos nível
cultural e foi preciso modificar a metodologia, evitando
leituras de textos. São os mesmos textos, mas levados com
dinâmica e estudo de casos.
Foram criadas
planilhas como rumos para uma melhor organização das ações que
os grupos vão construir, a fim de exercitar o afeto.
O projeto Em Busca de Novos
Aprendizados está sendo aplicado pelos próprios monitores.
Eles têm sentido dificuldade, em virtude de as mensagens
atingir-nos em nossos limites, por isso o projeto tem sido bom.
* * *
Você está
convidado
Assim, essa Rede de Afeto,
que vem se instalando nos meios espíritas ao longo do nosso
país, está convidando você, caro leitor, a iniciar um novo ciclo
de reposicionamentos, um repensar de atitudes, um mergulhar
profundo na intimidade de si mesmo, em busca dos valores divinos
que ali dormitam.
Traga, pois, você também o seu
amor, seu entusiasmo e sua alegria, e junte-se aos tantos outros
corações que sentiram a convocação da espiritualidade superior e
vêm procurando caminhos e meios para desenvolver atitudes de
amor, primeiro em si mesmos e depois, nos ambientes onde atuam.
Para isso, não serão necessárias
filiações nem formalismos, apenas é preciso decidir-se.
Contato:
fatima@inede.com.br
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