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CONSEGUINDO ELOQÜÊNCIA NA ORATÓRIA

Autor: Alkíndar de Oliveira

(alkindar@terra.com.br)

 

O uso de técnicas retóricas.

As técnicas retóricas são essenciais ao orador. Elas colocam ordem nas frases. Fazem com que a fala do orador seja agradável aos ouvidos. No entanto, as técnicas retóricas, por melhor que sejam, não necessariamente são persuasivas. Isto é, não necessariamente, mesmo usando-as corretamente, o  orador conseguirá atingir seu objetivo.

         Não obstante sejam  importantíssimas, as técnicas retóricas alcançam, em termos de força de comunicação,  não mais do que 20% do resultado final. 

         Muitos oradores acreditam que, se bem aplicarem as técnicas retóricas, suas falas serão brilhantes e persuasivas. E aí está o grande engano.

 

Eloqüência, o fator fundamental.

         A probabilidade de conseguir efetivos resultados aumenta consideravelmente se o fator fundamental se fizer presente na comunicação com o público. Este fator é a  eloqüência. Em termos de força de comunicação,  as técnicas retóricas, conforme já comentado, alcançam não mais do   que  20%. A eloqüência completa os 100%. Isto é, atinge a grande marca dos 80%.  

         O orador -  se quiser destacar-se -  necessariamente precisa ser eloqüente.

O bom comunicador se preocupa – acertadamente – em utilizar-se de técnicas retóricas para conseguir atingir seus objetivos. No entanto, quantos utilizam corretamente das técnicas retóricas e não motivam o público  a agir de acordo com os seus propósitos? Na verdade, há pouca  valia em utilizar-se das mais eficientes técnicas  retóricas se a eloqüência não se fizer presente. Uma boa comunicação, sem eloqüência, nada mais é do que  uma fala agradável de ouvir. Mas, resultados?... Aí já são outros quinhentos.

 

         Mas o que é  eloqüência ou: o que é ser eloqüente?

         De forma simples e direta, ser eloqüente é conseguir resultados positivos através da comunicação. Dá trabalho ser eloqüente. Exige disciplina, mudança de atitudes e persistências nessas novas atitudes. Mas, se o orador   seguir e cumprir, com os  procedimentos abaixo comentados, e persistir nessas novas atitudes, fácil será ser eloqüente, pois a eloqüência passará a ser um novo e produtivo hábito.

 

Como ser eloqüente?

Como pré-requisito é preciso que o comunicador  tenha desenvolvido habilidades na arte do uso de técnicas retóricas. Lembramos ao leitor que, em síntese, as técnicas retóricas tem por finalidade transformar a fala em comunicação, colocando ordem em nossa exposição.

A ordem do esquema retórico, assunto mencionado no parágrafo anterior, é composta de três fases:

I - INTRODUÇÃO: fase em que o orador procura captar a atenção do público através de recursos adequados como, por exemplo, contar uma história relacionada com o tema;

II - ASSUNTO CENTRAL: fase em que o orador entra no tema propriamente dito, inserindo argumentações apropriadas;

III - CONCLUSÃO: fase em que orador faz uma síntese do que foi dito,  e termina com uma frase forte e objetivo.

 

Como requisito para ser eloqüente, deve o orador utilizar-se dos seis procedimentos ou fatores a seguir.

 

I- Conhecimento

O primeiro fator da eloqüência é o  conhecimento do tema. O orador precisa conhecer o tema mais do que o público o conhece. Falar com conhecimento de causa é não ser preciso “procurar” palavras: estas espontaneamente irão surgir.

 

II- SOS

O segundo fator é o que denomino de SOS: Sentir – Olhar – Sorrir. É preciso falar com sentimento (nada de passar um relato frio, sem vida), é preciso olhar nos olhos dos ouvintes e é preciso falar esboçando um leve sorriso. Sobre o olhar nos olhos, o orador que se comunica visualmente com o ouvinte (olhando nos olhos) tem quatro principais vantagens de imediato: valoriza o público, tem condições de se sentir a receptividade de sua fala, sua naturalidade fica evidente e as palavras vestem suas idéias com grande facilidade. A pessoa que, na comunicação, utiliza desses três procedimentos (que formam a sigla SOS) passa ao interlocutor simpatia e confiança, que são duas qualidades imprescindíveis à boa comunicação.

Vale a pena insistir na importância força do sentimento, na força da emoção. Posso  dizer, sem medo de errar, que falar com emoção é a regra básica da boa comunicação. Sentir o que está dizendo faz sua mensagem ser transmitida por todos os poros do seu corpo. Colocando sentimento sua fala será muito mais expressiva, uma vez que naturalmente a emoção faz aflorar  a necessária gesticulação, além de melhorar o ritmo da voz. Ingredientes estes que dão colorido à fala. Os gestos expressivos, conseqüência  do sentimento colocado pelo orador, impõem sua presença, estimulam o surgimento de frases fortes, cativam o público. Nesse caso, acompanha a boa gesticulação também a  boa expressividade fisionômica, que  é uma das melhores maneiras de passar para o público sua sinceridade, convicção e emoção. O ritmo da voz, também conseqüência do sentimento colocado pelo orador, entretêm e comove o ouvinte. (Obs.: ritmo da voz é o conjunto das alternâncias da  intensidade e da velocidade e a correta utilização das pausas).

 

III-Construção e seqüencia de frases

O terceiro fator é a construção e seqüência de frases. O bom comunicador  precisa criar algumas frases que bem reafirmem as partes de sua oratória, que valorizem suas argumentações e que sejam estimuladoras. A boa construção das  frases e a adequada seqüência das mesmas, propiciam o necessário diferencial qualitativo.

 

IV-Objetividade

O quarto  fator é a objetividade. O bom comunicador  pode até ter curtas falas  paralelas ao tema, para deixar a comunicação  mais leve e natural. Mas o que o público  mais quer, é o uso da objetividade. O ouvinte  ali está para ser bem informado. E a boa informação só ocorre se a objetividade se fizer presente.

 

V-Concisão

O quinto   fator é a concisão. Ser conciso é falar o necessário e o suficiente. O contrário de ser conciso é ser prolixo, isto é, aquela pessoa que fala demais, que não sabe a hora de parar. O ouvinte  quer concisão, pois ela – a concisão – ajuda sobremaneira na retenção do que está sendo passado.

O orador conciso, isto é, aquele que fala apenas o necessário e o suficiente, não cansa o público, portanto, o orador conciso colhe com maior facilidade os frutos da boa retórica.

 

          VI-Empatia

O sexto   e último fator é a empatia. Esta é a qualidade das qualidades. Se a seqüência desses fatores determinasse a importância de cada um deles, a empatia figuraria em primeiro lugar. Empatia é a capacidade que todo comunicador tem (ou deve desenvolver) de colocar-se no lugar do ouvinte. Você não fala para paredes ou cadeiras. Você fala para seres pensantes, divagadores por natureza. Se o ouvinte não se interessar pelo assunto aí sim você passará a falar para paredes ou cadeiras. Essa qualidade deve estar presente no bom comunicador. Isto é, é preciso ser empático, o que significa ter a preocupação de, ao transmitir sua mensagem, colocar-se no lugar do outro, saber como e o quê o outro gostaria de ouvir.

 

        ADENDO: Faça seu próprio teste: Sou um orador eloqüente?

 

1)                Procuro começar a apresentação com frase ou história ou pergunta que capte a atenção do ouvinte já no início de minha fala, despertando-lhe o interesse em me ouvir?

[   ] SIM               [   ] NÃO

 

2)                Procuro terminar a apresentação com frase ou história ou pergunta que estimule o ouvinte a ir – entusiasticamente - ao encontro do propósito da minha fala?

[   ] SIM               [   ] NÃO

 

3)                Preparo-me adequadamente, para  bem dominar e conhecer o tema?

[   ] SIM               [   ] NÃO

 

4)                Coloco sentimento na fala, para que a expressividade (voz, gestos, postura) possa aparecer?

[   ] SIM               [   ] NÃO

 

5)                Procuro comunicar-me visualmente de forma simpática com o ouvinte ou com o público?

[   ] SIM               [   ] NÃO

 

6)                Mesmo em assuntos sérios, mantenho a expressão facial sorridente?

[   ] SIM               [   ] NÃO

 

7)                Saio do lugar comum, construindo boas frases e colocando-as na seqüência ideal?

[   ] SIM               [   ] NÃO

 

8)                Falo de maneiro objetiva, fazendo com que, ao final da apresentação, o público não tenha dúvida sobre qual foi o tema básico desenvolvido?

[   ] SIM               [   ] NÃO

 

9)                Sou conciso, isto é, evito a prolixidade (o falar além do necessário)?

[   ] SIM               [   ] NÃO

 

10)            Utilizo-me da empatia, isto é, coloco-me no lugar do público?

[   ] SIM               [   ] NÃO

 

        Se todas as respostas forem “SIM”, parabéns! Você é um orador eloqüente.