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Candidatos à bondade
Irmão Deodato/Carlos Pereira |
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Nos intricados refolhos da alma há uma complexidade de fatores a serem continuamente estudados e que o tempo terá que ser paciente para começarmos a compreendê-los na sua inteireza.
Tudo que ocorre na Terra é conseqüência dedutiva daquilo que o conjunto de almas aqui residentes podem produzir. Não há como negar que muito do que já foi feito de positivo é resultado do esforço de inúmeras almas dedicadas ao bem, contrariamente, somos impelidos por uma quantidade inimaginável de seres, muitos deles alijados há algum tempo do processo evolutivo por decisão pessoal, que tudo faz para que os avanços sejam diminutos ou não aconteçam. Neste embate de vibrações, as duas partes correm para não apenas mostrar trabalho a seus superiores, mas, principalmente, para fazer valer aquilo que verdadeiramente acreditam.
De um lado, o bem prospera no coração de almas abertas ao autoconhecimento, do outro, irmãos empedernidos no mal tentam agigantar-se em grupos que se proliferam pela desistência dos candidatos à bondade de se auto-enfrentarem. E, com isso, o trabalho redencionista se faz cada vez mais imprescindível, sobretudo nestes nossos dias.
O que fazer diante deste quadro assustador de aparente guerra? Cruzar os braços e esperar que por si só a misericórdia divina opere é rejeitar o princípio de que todos nós somos co-criadores do projeto redentor da humanidade. Neste tentame, todos nós somos convocados, sobretudo aqueles que já iniciaram seu processo de autodespertamento, para, ao mesmo tempo em que tente o auto-aperfeiçoamento, contribuírem para a redenção total da humanidade.
O sentimento de culpa, neste contexto, age como elemento dificultador daqueles candidatos à bondade, por conta de uma força, que eles mesmos deixam que os alimente, fomentando sua incapacidade de soerguimento diante das provas que são incontestes. É como que houvesse um movimento de contra-reação que impeça a sua auto-evolução. Equivocam-se muitos em acharem-se incapazes e que os exemplos de ápices do comportamento são reservados, unicamente, a um conjunto limitado de almas. É neste ínterim que a humanidade que ainda ignora o bem se aproveita para impedir o autocrescimento. Ardilosamente, eles passam a alimentar no subconsciente de nossos irmãos, não apenas a incapacidade da auto-superação, mas, também, de influenciar a outros, provocando um certo comportamento generalizado de “depressão psíquica coletiva”. Como somos aquilo que pensamos e sentimos, se nos sentimos inaptos, colocamos barreiras que, pouco a pouco, parecem nos ser intransponíveis. O que fazer, nestes casos, a não ser ter uma ação alimentadora de autodescoberta dos seres divinos que somos. Sim, porque envolto nas trevas interiores que cria, é de inestimável oportunidade despertar esta chama divina interior. Somente ela é que poderá suplantar, de uma vez por todas, com este estado doentio de inércia que insiste em se manter dentro do coração humano.
Este processo de auto-encontro se faz presente em praticamente todos os compêndios de psicologia profunda - e oriundo da filosofia clássica - constitui elemento vitalizador das almas, à medida que, vendo-se como realmente se é, teremos como reagir ao processo de ilusão que se está inserido e que se imagina, muitas vezes, como sem volta.
O remédio para as almas humanas, candidatas à bondade, é o alimento continuado e permanente da sua natureza divina, permitindo, assim, visualizar a queda como etapa natural e necessária para o caminho da evolução. A aceitação dos princípios cristãos faz, verdadeiramente, estas almas se libertarem dos seus medos e receios e encontrarem uma razão para viver. Razão para viver, eis aquilo que todos necessitamos definir em nossas vidas, uma razão para o existir. Ao definirmos, nos encheremos de coragem para atingi-la e revigoraremos os nossos esforços em direção a ela, encontrando, nos refolhos da alma que citamos, a mesma impetuosidade a que, indevidamente, nos entregamos ao desprezo de viver.
Adiantemos, já, o caminho de retorno ao bem, mesmo na ocasião em que tentando acertar venhamos a errar. Paulo, quando se tornou candidato sincero a bondade, teve que, muita vez, reconhecer isso, mas a sua persistência de autosuperação fê-lo vencer diante de si mesmo. Não tenham a menor dúvida que a vitória é o nosso destino inevitável.
Conheçamos a nós mesmos e descobriremos energias tais que sequer imaginaríamos possuir. Contrariamente a mea culpa alimentada em outras escolas do Cristo que, inadvertidamente, desviaram-se dos caminhos originais das palavras do Senhor, encontraremos na doutrina imortalista os elementos necessários para a saída deste estado de culpa, que nos ampara com a oportunidade das vidas sucessivas como ponto fulcral do autodesenvolvimento.
Sejamos fiéis a aquilo que compreendemos ser a verdade, ancorada nos ensinamentos do Cristo, e perceberemos que não há quem nos detenha em direção às estrelas.