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...Chegou então o
Espiritismo, trazendo
extraordinário conhecimento libertador, como
excelente alavanca para a transformação interior
dos seus adeptos, mas, talvez em razão das
grandes dificuldades que essa transformação
apresenta, muitos acabaram substituindo-a pela
freqüência ao centro, pelo passe e pela água fluidificada,
as atividades na casa, o trabalho mediúnico, a
caridade, a direção da instituição. Outros a
substituíram por ações na divulgação doutrinária,
tais como fazer palestras, escrever livros, falar no
radio ou na TV ou, ainda, através da Internet, e
tal situação acabou se institucionalizando
nos meios espíritas.
O
Espiritismo em Época de Transição
Saara
Nousiainen
Palavras iniciais
Nosso planeta está vivendo um
momento único em sua história.
Nossa humanidade passa por um
período sem igual em toda a sua existência.
O movimento espírita está numa
espécie de repetição da história do cristianismo primitivo, numa
fase decisiva em sua caminhada. É como se estivéssemos diante de
duas portas, uma larga e outra estreita, exatamente como na
advertência de Jesus.
A larga dá acesso a um caminho
também largo e confortável, que segue através da planície. A
outra dá acesso a um caminho pedregoso, estreito, que sobe pelas
escarpas da montanha, numa jornada difícil e sacrificial.
Pelo caminho largo, não
precisamos estar constantemente em alerta, observando onde
pisar, nem fazer muito esforço para caminhar. Basta deixar-nos
levar.
No estreito, a subida é
difícil. Nossos pés se machucam nos pedregulhos, enquanto o
corpo vai se ferindo nos espinhos, mas, em meio aos pedregulhos,
crescem lírios brancos a embelezar e perfumar nosso ambiente e,
em torno dos espinhos que nos ferem, encontramos folhas verdes a
simbolizarem esperança. O suor que escorre pelo rosto e pelo
corpo, nos esforços da subida, reflete a purificação da nossa
alma pela eliminação de toxinas espirituais, do lixo interior
que fomos acumulando ao longo do tempo. E quando menos
esperamos, alcançamos o topo da montanha de uma nova etapa
evolutiva.
Olhando então para trás, para
os caminhos difíceis que acabamos de percorrer, nossa alma se
encherá de alegria pelas escolhas acertadas que fizemos.
Mas... se a escolha foi o
caminho largo e fácil, já que temos o direito de escolher...
Fazíamos uma comparação do
momento atual do espiritismo com o cristianismo primitivo. Este
também passou por um momento de transição. Jesus viera trazer
novos paradigmas à humanidade e seus seguidores tiveram a missão
de levar aquelas idéias para o mundo. Se eles tivessem seguido
pelo caminho largo, o da planície, o cristianismo teria morrido
em seu nascedouro, mas aqueles cristãos fizeram do “vivenciar os
ensinamentos de Jesus e difundir a Boa Nova” o seu projeto de
vida, a sua primeira prioridade, a meta para a qual caminharam
sem medir esforços nem sacrifícios. Foi uma entrega total.
Assim, seguindo pelo caminho estreito e entregando as próprias
vidas em sacrifício, eles conseguiram fazer com que a mensagem
da Boa Nova pudesse atravessar os séculos e, mesmo de forma
distorcida, chegar até nós.
Hoje estamos numa nova fase de
transição; desta vez, muito mais radical porque o mundo vai
mudar de grau. De “provas e expiações” passará à condição de
“mundo de regeneração”. Com isso, as imensas legiões de
espíritos empedernidos no mal, sabendo que poderão ser exiladas
para mundos inferiores, estão “jogando todas as suas cartas” na
tentativa de dominar o planeta e aqui permanecer.
Pode-se então facilmente
observar o quanto essa fase está sendo conturbada, com as
legiões do mal aplicando todos os seus recursos, sua ciência e
tecnologias para vencer quaisquer esforços que visem à
iluminação do ser.
Estamos assim novamente diante
das duas portas, a larga e fácil e a estreita e difícil, só que
as dificuldades de agora são diferentes. Diria até que são
maiores, porque naquela época ainda pairava no ar a presença do
Mestre e seus ensinos e exortações eram repetidos diuturnamente
pelos seus seguidores, inflamando-os. Seus corações pulsavam na
vibração da Boa Nova, como se fosse o próprio cântico dos anjos
a se espalhar sobre os montes, vales e cidades, abençoando
corações que há muito aguardavam por ela.
Hoje, temos um movimento
espírita formado por diversos tipos: os que aderiram à nossa
doutrina, por achá-la coerente; os que chegaram empurrados pelo
sofrimento e aqueles outros, poucos, cujos corações pulsam ao
ritmo da revelação espírita e que fizeram do espiritismo seu
projeto de vida.
A situação é bem diferente
daquela do primitivo cristianismo, porque o espiritismo
institucionalizou-se, perdendo o ar de cumplicidade geradora de
companheirismo e fraternidade. Por outro lado, os poderes das
trevas tudo fazem, não para destruí-lo ou parar a sua marcha,
mas para evitar que se aloje nos corações e realize as
transformações que o Mestre espera.
Nesse contexto, é fácil
observar como os estudos doutrinários, os cursos e as atividades
caritativas que são realizadas nos meios espíritas pouca
resistência encontram, mas qualquer ação visando à “vivência”
dos conteúdos espíritas encontra grandes dificuldades para se
firmar e produzir efeitos. Nota-se uma espécie de apatia, de
desinteresse por propostas que visem, de forma prática e
concreta, levar à vivência da amorosidade, da alteridade
(respeito de uns para com outros), da humildade e demais
valores.
É verdade que, paralelamente,
vem acontecendo um despertar para a busca desses valores, mas
isto reflete a minoria e mesmo os grupos que se formam visando a
esse crescimento interior encontram grandes dificuldades a fim
de conseguir melhores resultados. É o trabalho maciço das
sombras contra essas luzes.
Vemos então que este é o
momento de relembrarmos os primitivos cristãos, a sua entrega, o
seu amor, a sua renúncia, para ganharmos nós também mais
disposição e energia em nossa luta com vistas a vencer as forças
do mal. Também importa lembrar que o foco principal desta luta
deve estar em nossa transformação interior.
Que está acontecendo com o movimento espírita?
Talvez você responda que nada
está acontecendo de anormal e que tudo vai muito bem.
Será que vai mesmo?
Nas listas da Internet de que
participo, inúmeros companheiros, das mais diversas partes do
Brasil, se queixam, profundamente entristecidos, pelas formas
como se pratica o espiritismo nos centros que freqüentam, e
vários deles já se afastaram, embora continuem crendo e
procurando praticar os ensinamentos espíritas.
Talvez você diga:
- Ora, são pessoas
invigilantes que se deixaram envolver pelos obsessores ou,
então, que estavam apenas procurando uma desculpa para abandonar
as tarefas.
Será mesmo assim?
Em conversas com essas pessoas
e pelo que venho observando desde muitos anos, é possível
perceber a extensão do que ocorre em inúmeros centros, chocando
muitos dos que chegam e afastando outros que já não suportam
mais conviver com situações tão adversas.
Como exemplo, vamos citar
alguns desses casos, usando pseudônimos.
a) Marina chegou ao centro
espírita com o coração cheio de alegria, porque finalmente havia
encontrado uma doutrina não fanatizante, em que o adepto teria a
liberdade de analisar tudo à luz da razão. Inscreveu-se no
Estudo Sistematizado de Doutrina Espírita-ESDE e, logo nas
primeiras semanas, percebeu o quanto estava enganada. Ao
questionar a afirmativa do monitor que dizia ser o espiritismo
uma religião, quase se viu “fraternalmente” expulsa do grupo e,
para poder continuar, decidiu-se a não mais questionar fosse o
que fosse. Guardaria os questionamentos para si mesma.
b) Silvana, espírita desde
criança, participava das sessões de cura no centro que
freqüentava. Certo dia percebeu que o médium que fornecia
ectoplasma para os trabalhos, ao sair da cabine, sentia-se mal.
Chamou a dirigente, informando-a do fato e sugerindo que fosse
ministrado um passe no companheiro. Essa sugestão foi aceita de
má vontade, com a recomendação: “Que seja só esta vez, porque os
médiuns precisam aprender a se defender”.
Que tremenda falta de
fraternidade e de conhecimento!
c) Ao término das sessões
mediúnicas de que participava, Andréa saía sentindo-se mal. Foi
adoecendo mais e mais. Ao buscar ajuda no centro,
aconselharam-na a fazer o Evangelho no Lar para afastar os
obsessores.
Ora, o que mais ela fazia era
cuidar da sua vida interior, procurando sempre pautá-la pelos
ensinamentos de Jesus.
Foi piorando cada vez mais e
mais e acabou se afastando do trabalho mediúnico. Uma amiga
levou-a a um templo esotérico, onde foi recebida com muito
carinho e tratada com recursos utilizados por eles, vindo a
melhorar rapidamente.
d) D. Miriam, médium que há
mais de vinte anos vinha participando das atividades mediúnicas
da casa, de repente começou a faltar; uma, duas, três sessões...
O dirigente informou os presentes de que, se ela faltasse mais
uma vez, seria afastada dos trabalhos.
Alguns meses se passaram e D.
Miriam retornou ao trabalho, mas na condição de espírito.
Todos ficaram profundamente
envergonhados, pois ninguém se preocupara em procurar saber o
que havia acontecido com ela.
Por que em muitos centros
espíritas os trabalhadores são tratados com desinteresse, como
se fossem meras peças do mecanismo e os freqüentadores não são
recebidos com amabilidade e verdadeiro interesse em ajudá-los?
E nem vamos falar de outras
situações nas quais despontam lutas pelo poder, discriminações e
tantas outras mazelas.
O que está faltando nos meios
espíritas: conhecimento doutrinário ou a presença de amor e de
humildade?
Preocupada com questões como
essas, no início dos anos noventa, conseguimos juntar alguns
companheiros espíritas e criar uma oficina semanal com foco no
desenvolvimento dos valores da evolução espiritual. Foi uma
experiência gratificante, que me levou a escrever, mais tarde, o
livro Crescimento Interior, apoiada naquele modelo.
Temos observado, no entanto,
como é difícil criar um grupo com tal finalidade e mais difícil
ainda é mantê-lo. Uns e outros vão se afastando por motivos
justos, e muitos outros fatos vão acontecendo, levando o grupo à
extinção (V. capítulo Uma palavra difícil de dizer).
Procuramos então convencer
algumas lideranças espíritas, inclusive da própria FEB, a
estabelecerem pequenas mudanças nas metodologias, que viriam a
favorecer o crescimento interior dos espíritas e dos
freqüentadores dos centros. A proposta era para se utilizar a
última meia hora dos cursos para “trabalhar” a questão da
vivência dos conteúdos espíritas, procurando-se desenvolver a
afetividade, a humildade e demais valores.
Isto rendeu alguns “Que
excelente idéia!”; Vamos estudar essa questão”... Mas sempre
ficou só nisso.
Depois, recebemos a inspiração
para escrever o livro Curso Interativo de Espiritismo e Vivência
Espírita, com catorze aulas. A primeira parte de cada aula é de
estudos doutrinários e a segunda tem foco na vivência dos
valores da evolução espiritual.
Esse curso pode ser ministrado
continuamente. Terminada a última aula, volta-se à primeira, já
que cada uma apresenta um tema diferente. Assim, os que chegam
ao centro, em qualquer época, podem ser encaminhados para o
curso e não vão perder qualquer tema.
A segunda parte, relativa ao
crescimento interior do ser, também trata, em cada aula, de tema
específico dialogado entre os participantes.
O método é utilizado com
perguntas instigantes para serem respondidas pelos presentes. Em
seguida o monitor lê a explicação espírita.
Cursos básicos simples e
interativos são importantes num centro espírita para atender aos
que chegam, mas, na imensa maioria das casas, quem chega é
convidado a assistir a palestras e/ou ingressar num estudo
sistematizado de doutrina espírita. As palestras são boas,
quando o palestrante é bom, mas, apenas assistindo a elas,
alguém pode romper o tempo, anos a fio, sem adquirir o
conhecimento espírita em sua extensão.
O estudo sistematizado supre
essa lacuna, mas nem todas as pessoas se afinam com estudos
dessa natureza. Por isso a evasão é sempre grande.
Já num curso básico (melhor
que seja interativo), o participante aprende tudo, mesmo de
forma superficial, em bem mais curto espaço de tempo. Se então
alguém quiser matricular-se num curso sistematizado, certamente
não o abandonará a meio do caminho.
Mas qualquer que seja o modelo
do ensinamento, é fundamental que inclua ações práticas para
ajudar na evolução espiritual dos participantes.
Se a finalidade maior do
espiritismo é transformar seus seguidores em “homens de bem”,
cabe aos centros espíritas instrumentalizar-se, a fim de
oferecer a seus trabalhadores e freqüentadores atividades
capazes de realmente ajudar nessa transformação.
Da mesma forma, cabe ao
palestrante que queira exercer de fato sua missão ensinar
conhecimento espírita e, a seguir, colocar-se lado a lado com os
aprendizes para, num esforço conjunto, procurar fazer com que
tais conhecimentos desçam até o coração, inclusive ao dele. Só
assim, com o espiritismo no coração, é possível realizarem-se as
tão necessárias transformações interiores.
Lembremos que os cristãos
primitivos realmente vivenciavam os ensinamentos de Jesus, tanto
na prática da caridade quanto em suas atitudes.
Depois, tudo foi se
transformando. O foco foi mudando até institucionalizar-se numa
igreja, a Católica Apostólica Romana.
Será que vamos deixar o
espiritismo também acabar como mera instituição de caráter
filosófico, científico e religioso, crescendo em número de
centros e de adeptos, “mostrando a cara” ao mundo, como tantos
desejam, mas sem cumprir a sua finalidade maior, que é a
transformação do ser?
Quando uma doutrina é formada por
regras
Será que, nos meios espíritas,
estamos vivenciando a mesma estagnação evolutiva das igrejas
cristãs?
Por que os seguidores do
cristianismo pouco ou nada evoluem espiritualmente?
Vejamos uma das razões.
As igrejas cristãs apresentam
a seus fiéis o “prato feito” da salvação. Vem tudo prontinho,
bastando-lhes obedecer às determinações das suas igrejas.
Ocorre, nas doutrinas formadas
por regras ou preceitos, que seus seguidores tendem a procurar
meios para fraudá-los, lançando mão de interpretações as mais
variadas e de recursos outros que lhes permitam permanecer sob o
seu abrigo, mas sem real comprometimento com eles.
É o ser humano sempre querendo
levar vantagens.
Esse tipo de situações reflete
a antievolução, e é por isso que o mundo cristão pouco progrediu
espiritualmente.
Chega, então, o espiritismo,
trazendo extraordinário conhecimento libertador, como excelente
alavanca para a transformação interior dos seus adeptos, mas,
talvez em razão das grandes dificuldades que essa transformação
apresenta, muitos acabam substituindo-a pela freqüência ao
centro, pelo passe e pela água fluidificada, as atividades na
casa, o trabalho mediúnico, a caridade, a direção da
instituição; outros a substituem por ações na divulgação do
espiritismo, tais como fazer palestras, escrever livros, falar
no rádio ou na TV ou, ainda, através da Internet, e tal situação
acabou se institucionalizando nos meios espíritas.
Dessa forma, sentem-se
abençoados e confiantes em que estão conquistando ingresso em
Nosso Lar, após a desencarnação. Preenchem tanto as suas vidas
com essas atividades que pouco, ou nada, lhes sobra para cuidar
das suas construções interiores.
O que está errado, então, ou o
que está faltando para que as pessoas que desenvolvem atividades
espíritas, ou freqüentam centros, possam começar a despertar
para a necessidade de dinamizar a própria evolução espiritual?
Certamente, está faltando
interesse nas lideranças e empenho dos dirigentes no sentido de
priorizar atividades que ajudem realmente nesse desiderato.
Nos meios espíritas,
costumamos apresentar Jesus e o Evangelho como sendo a nossa
bandeira:
- Vamos fazer o Evangelho,
vivenciá-lo, colocar Jesus em nossas vidas, etc.
Com esse tipo de foco,
acabamos diluindo nossos esforços evolutivos em imagens e
palavras: imagens de Jesus e do Evangelho, palavras que já se
tornaram jargões sem efeito. E assim, sentindo-nos sob esse
pálio, achamos que estamos evoluindo, fazendo nossa reforma
interior e nos preparando para habitar planos mais elevados após
a desencarnação.
Mas é por causa desse tipo de
enganos que Eurípedes Barsanulfo foi convidado a construir o
Sanatório Esperança, no mundo espiritual, para atender
companheiros que acreditavam ter direito a situações mais
favorecidas após a morte, por terem conduzido a bandeira do
Evangelho e a imagem de Jesus durante a vida.
Vamos refletir um pouco?
Do que realmente necessitamos
para evoluir?
É de uma bandeira ou de
atitudes?
Então, ao invés de colocar-nos
sob o pálio do evangelho, não é muito mais produtivo procurar
viver em função do próprio crescimento como ser espiritual e
cósmico? Em vez de viver citando chavões sobre a caridade,
esforçar-nos para desenvolver e vivenciar a amorosidade de forma
contínua? No lugar de ter sempre na “ponta da língua” alguma
exortação doutrinária, fazermos reflexões sobre as dimensões do
amor e da humildade e procurar meios para desenvolvê-los nos
nossos estados de espírito? No lugar daquela voz “mansificada”,
nem sempre autêntica, quando falamos em “coisas sagradas”,
deixar fluir a alegria, o contentamento, que é um verdadeiro
elixir de vida?
Em tempo de transição não há
TEMPO a se perder. É imprescindível e inadiável realizar as
transformações interiores a se manifestarem em ATITUDES.
Aquele que deseja
verdadeiramente realizar sua transformação interior,
adequando-se ao novo tempo, precisa começar a mergulhar fundo
nos meandros do orgulho, do egoísmo e da ganância, procurando
entender seus mecanismos a fim de buscar as formas mais
profícuas para livrar-se deles; procurar conhecer ao menos um
pouco das complexidades do psiquismo humano com o fito de
aprender a navegar contra as correntezas interiores das
construções milenares do próprio espírito.
Mas essas incursões precisam
representar prioridade para quem deseja evoluir, porque a
geração de valores se dá por ação continuada.
Por isso, para desenvolver
valores da alma, é preciso gerar memória. Geralmente só nos
lembramos de nossos propósitos evolutivos DEPOIS de praticada a
ação, dita a palavra ou permitido sentimentos negativos vibrarem
em nosso interior.
Por isso sempre sugerimos
trabalhos em grupo; uma discussão sobre determinada atitude, com
enfoques diversos e sugestões variadas, ajuda a gerar memória. E
quando o grupo se propõe a trazer sempre à mente, durante a
semana que se segue, a determinação de desenvolver o valor que
estava em pauta, fica bem mais fácil lembrar as decisões tomadas
ANTES de praticar a ação, dizer a palavra ou permitir
sentimentos negativos, podendo evitá-los.
Merecimento e evolução
Algo importante para ser
repensado nos meios espíritas está numa melhor compreensão sobre
merecimento e evolução.
Numa pesquisa realizada pela
Associação Brasileira de Divulgadores do Espiritismo – ABRADE
sobre como estamos comunicando espiritismo dentro e fora dos
nossos arraiais, observou-se que estamos confundindo muito a
prática da caridade com evolução espiritual. A primeira gera
merecimento, mas só a segunda nos resgata das inferioridades em
que estagiamos.
Outro ponto também observado é
que há nos centros muita preocupação em se praticar a caridade e
raras são as atividades voltadas para o crescimento interior.
Muitos até desconhecem o que seria uma mera reunião de estudos
do evangelho.
Conversávamos certa feita com
alguns companheiros espíritas sobre essas questões, quando um
dos presentes, Dr. Ildefonso do Espírito Santo (BA), do alto dos
seus 80 anos, me intimou a escrever um roteiro bem simples e
objetivo que pudesse ajudar nessa questão da vivência dos
conteúdos espíritas.
Rejeitei a idéia, por
entendê-la inviável, mas aquela “intimação” não me saía da
cabeça e em pouco tempo observei que me colocavam na mente uma
idéia inovadora, a de se buscar essa vivência através de estados
de espírito.
Foi assim que no opúsculo
Agenda Mínima para Evoluir, conseguimos resumir em apenas cinco
pontos as bases da tarefa evolutiva.
Quatro pontos referem-se a
estados de espírito: afetividade, alteridade, humildade e
contentamento.
O quinto valor é o equilíbrio,
ou seja, a sabedoria.
Desenvolvendo afetividade,
estamos no caminho do amor, o maior dos valores.
A alteridade nos ajuda a abrir
caminhos para uma compreensão mais elevada sobre tudo. É o mais
importante mecanismo para o crescimento do homem como ser social
e pode levá-lo a interagir pacífica e beneficamente com tudo que
o cerca. Nos meios espíritas, ela se torna uma postura de
vanguarda, sinalizando um modelo de convívio para o novo tempo,
o mundo de regeneração.
O terceiro dos pontos
essências é a humildade, numa percepção clara da nossa real
condição. Nem para mais, nem para menos.
Se for para mais, ela nos
levará ao orgulho, porque pensar que somos mais evoluídos do que
nossa realidade acarreta envaidecimento. Pela nossa pouca
evolução, estamos ainda muito propensos a cair nessa ilusão. Se
forçarmos nossa percepção para menos, isto nos levará a uma
situação irreal e à diminuição da nossa auto-estima, o que é
prejudicial para nossa vida e evolução.
Já o contentamento é um
verdadeiro elixir de vida e saúde, e o equilíbrio nos conduz à
sabedoria.
Releitura das obras de Kardec?
Numa das listas, ou grupos, da
ABRADE, na Internet, alguém perguntou:
“Algum(ns) conceito(s)
expresso(s) nas obras de Kardec mereceria(m) uma releitura,
ajustando-a(s) ao novo contexto do presente?”
Refletimos sobre a pergunta e
respondemos o seguinte:
Alguns conceitos realmente
mereceriam essa releitura. Podemos dar como exemplo a questão da
expiação.
Na obra de Kardec, essa idéia
aparece em tons muito fortes, ameaçadores, definitivos, o que
pode ter sido perfeito para aquele tempo. Mas hoje, nas fímbrias
de uma nova época, já começando a transitar sobre a ponte que
nos levará à condição de “mundo de regeneração”, devemos olhar
para um futuro mais luminoso e começar a nos iluminar nessa luz.
Vejamos: num mundo de provas e
expiações, carregamos nossa cruz plenamente conscientes de que
estamos pagando culpas e crescendo mais um pouquinho. É uma
condição de sujeição ao sofrimento.
Já num mundo de regeneração o
foco se volta para a construtividade. Somos seres que já
conseguimos desbastar o mais grosso das nossas imperfeições e
nossa meta, agora, deve ser a da evolução espiritual. É claro
que iremos continuar resgatando as faltas, porque essa é a lei
da justiça, mas o olhar será outro, o do crescimento, com as
vistas voltadas para um futuro de luz e trabalhando sempre com
esse fim.
Se ficarmos engessados no
pensamento antigo, calcado na temática do sofrimento como
necessidade expiatória, como poderemos trabalhar pelo novo
modelo?
Aquela idéia de que “vamos
sofrer resignadamente porque receberemos recompensas no mundo
espiritual” está começando a mudar para um discurso mais
saudável e progressista: “vamos buscar o nosso crescimento
interior, desenvolver nossas qualidades superiores e as nossas
potencialidades; ajudar a comunidade procurando levar-lhe as
verdades espirituais, além de trabalhar visando conscientizá-la
quanto à importância da sua participação na transformação do
mundo; auxiliar o ser humano a comandar seus estados de
espírito, erguer-se e caminhar com os próprios pés”.
É a cruz transformando-se em
instrumento de trabalho, de crescimento e de alegria.
Sem a mais remota idéia de
tecer críticas aos espíritos que trabalharam na codificação do
espiritismo, devemos lembrar que muitos deles eram procedentes
da Igreja Católica, por isso em seus enfoques transparecem
conceitos que, se podiam ser adequados àquela época, estão
carecendo de atualização.
Podemos observar essa
tendência em algumas passagens de O Evangelho Segundo o
Espiritismo, quando falam sobre as penas e recompensas. A
linguagem é bastante semelhante à da Igreja. No capítulo
Bem-aventurados os aflitos, Lacordaire diz: “O homem não recebe
nenhuma recompensa para esse tipo de coragem, mas Deus lhe
reserva seus louros e um lugar glorioso”. Essa idéia de
recompensas, louros e um lugar glorioso pode ser adequada a
espíritos que ainda não alcançaram certo grau de entendimento e
que necessitam desse tipo de muletas para caminhar melhor. Mas
hoje, em pleno trânsito para uma nova época, essa velha
mentalidade deve começar a ceder lugar à do trabalho pela
auto-superação, a auto-ajuda, o crescimento da criatura como ser
cósmico. Tal crescimento, por si só, deve ser o seu maior fator
de felicidade atual e futura. Também se observa aí um toque de
vaidade na expectativa de glórias, incompatível com os
ensinamentos de Jesus e as idéias transmitidas pelo espiritismo.
E mais adiante Santo Agostinho diz: “O Senhor marcou com seu
selo todos os que acreditam nEle”. Aí, passa-se a idéia da
salvação pela fé.
Como vemos, aqueles espíritos,
embora de elevada estirpe, mantiveram, até certo ponto,
linguajar e idéias compatíveis com suas últimas reencarnações
ou, quem sabe, preferiram usar aquela linguagem como um degrau
para entendimentos mais elevados.
Por isso e também porque o bom
senso indica, não se deve entender tudo ao pé da letra. Nem
mesmo a codificação do espiritismo.
Sofrer hoje, resignadamente,
visando a louros e glórias no Céu, demonstra curto entendimento
sobre evolução. Um espírito evoluído, pela humildade que lhe é
própria, jamais encontrará a felicidade nesses louros e glórias,
mas sim em seu próprio estado evolutivo, que é jubilosamente
luminoso e feliz.
Assim, é hora de começarmos a
abandonar aquelas idéias de comprar um lugar no Céu, ou na
colônia espiritual Nosso Lar, através da conformação, uma
postura estagnante que ainda voeja nas cabeças de muitos
espíritas que entendem ser necessário sofrer para purificar a
alma, ou pagar culpas do passado, como se apenas pagar essas
culpas fosse suficiente.
Certamente, no novo modelo
que deverá nortear o mundo de regeneração, serão utilizados
caminhos outros, que não apenas a dor, para a evolução dos
seres.
A largueza de vistas do
espiritismo mostra ao ser humano que ele deve buscar a
felicidade, o bem-estar, o contentamento, desde que não arranhe
a ética cósmica, ou seja, as leis de Deus.
Por certo, é importante
aceitarmos o sofrimento que não pudermos mudar, mas há
diferenças fundamentais entre aceitar e conformar-se, como
também é indiscutível que podemos, sempre, mudar nossa vida para
melhor, começando por melhorar os próprios estados de espírito e
as atitudes. E, mesmo aceitando o sofrimento como necessário à
evolução, ou como retorno de atos do presente ou do passado,
devemos recebê-lo como lição e não como carga.
A grande reclamação que temos
escutado de pessoas que procuram o espiritismo ou militam em
seus arraiais está naquela mensagem em tom deprimente que ecoa
em muitos centros; o arfar sob o peso do carma que precisa ser
sofrido gota a gota, com resignação. A luz que é mostrada no
final do túnel só acena do além, após as agruras terrenas.
Felizmente, na outra vertente,
vamos encontrar centros espíritas, não muitos ainda, cuja linha
diretiva é a esperança, não só para o pós-túmulo, mas para o
agora, mostrando como se pode começar a vivenciar algo de
felicidade e bem-estar, quando se aprende a aplicar a si próprio
o “Levanta-te e anda”.
Também na mídia espírita se
percebe, aqui e ali, essa luz da esperança, transformando a cruz
em oportunidade de progresso espiritual.
Por esses novos enfoques,
podemos também perceber a importância de começarmos a mudar
aquele tom que é usado em alguns centros espíritas, o da voz
melíflua, chorosa, piegas, orientando para a conformação,
colocando como exemplo os sofrimentos de Jesus e acenando com as
recompensas futuras.
A nova civilização que está
para nascer pede discursos diferentes, aproveitando, inclusive,
muito de bom que já existe na área do conhecimento humano,
visando ao crescimento da criatura em toda a sua plenitude.
Que fazer?
Que se pode fazer para ajudar
o movimento espírita a começar a transformar discurso em
atitudes?
Talvez você diga que isso é da
competência das instituições federativas, mas, se elas não tomam
tais iniciativas na forma e intensidade que deveriam, vamos
esperar o quê?
Se somos espíritas, temos,
cada um de nós, uma parcela de responsabilidade pelos caminhos
tomados pelo espiritismo.
Cada espírita pode colaborar,
nem que seja apenas com preces e vibrações, pedindo ao Mestre
que ajude o nosso movimento a despertar para sua maior
necessidade.
Se você é trabalhador em
algum centro, pode conversar com os dirigentes, sugerindo-lhes
fazer uma campanha pela reforma interior, que pode começar com a
simples colocação de cartazes* nos ambientes da casa, até a
criação de reuniões/oficinas com essa finalidade. O centro
poderia também transformar algumas palestras em bate-papos, nos
quais todos juntos procurariam meios práticos que ajudassem a
vivenciar os valores da evolução espiritual.
* Pense na importância de um
cartaz (colocado em vários locais na casa espírita) com os
dizeres: Estou conseguindo ser mais humilde? Estou desenvolvendo
amorosidade? Já consigo perdoar? Procure memorizar estas
perguntas, para fazê-las a si mesmo constantemente.
Se você é dirigente espírita,
lembre que a nossa humanidade já se encontra nas fímbrias de uma
nova era, transitando para “mundo de regeneração”. Observe, no
entanto, como nos nossos meios campeiam inúmeros valores
negativos (com louváveis exceções) a ponto de muitos
companheiros se afastarem, por não suportarem tanta vaidade,
desamor, discriminação, maledicência, comodismo, personalismo,
lutas pelo poder que encontram em suas instituições, sem
considerar as outras infinitas queixas que se ouvem
diuturnamente.
Será que podemos continuar
assim?
Vamos nós, como movimento
espírita, acompanhar e ajudar nessa transição, ou ficar para
trás como a mulher de Ló da narração bíblica? Lembremos que ela
foi transformada numa estátua de sal.
Então, o que podem fazer as
instituições espíritas que ainda não começaram a se mobilizar
visando às necessárias transformações?
Permita-nos apresentar duas
sugestões:
1 - Criar nos ambientes do
centro um clima de permanentes convites e induções à reforma
interior. Isto pode começar a ser feito até mesmo com a
colocação de cartazes, como sugerido acima, contendo sugestões
práticas, tais como:
a) Sempre que lembrar, procure
desenvolver amor em seus sentimentos, envolvendo nessa vibração
seus familiares, companheiros de atividades e, principalmente,
seus desafetos.
b) Quando olhar para alguém,
seja lá quem for, diga mentalmente: “Que você esteja bem, com
saúde e harmonia interior. Que Deus o (a) abençoe e faça feliz!
c) Procure ser sempre uma
presença benéfica, onde estiver. Assim, estará deixando que a
luz de Deus o (a) ilumine de dentro para fora.
Observe a diferença entre
sugestões práticas e mensagens edificantes. Estas últimas são
importantes porque, nos momentos em que as lemos ou escutamos,
seu teor nos leva a elevar o pensamento e com ele a nossa
freqüência vibratória. Mas são de curta duração.
Já as sugestões práticas, para
quem se põe a acatá-las, materializam-se em ações
transformadoras.
2 - Buscar NOVOS MÉTODOS,
visando instrumentalizar o crescimento interior de seus
trabalhadores e freqüentadores, de forma objetiva.
E digo crescimento interior em
vez do termo reforma interior, porque o crescimento implica em
aquisição de valores em todos os sentidos da evolução, não
apenas das virtudes, mas também de tudo o mais que possa levar a
pessoa a sentir-se plena, feliz e com harmonia interior.
Nesse contexto, um aspecto
importante para ser revisto é o fato de cuidarmos da nossa
evolução através da ótica meramente religiosa ou mística.
Se não conseguimos resultados
realmente positivos com todo o esforço que tem sido feito até
hoje, usando métodos regulados pelo enfoque religioso, qual é a
solução?
MUDAR... Mudar o enfoque e os
métodos.
Para implementar tais mudanças
de forma mais tranqüila, pode-se começar por uma campanha em
prol de uma só ação: desenvolver afetividade.
Imagine quanto resultado
positivo haveria numa comunidade inteiramente voltada para tal
fim. No momento em que alguém consegue manter afetividade em
seus estados de espírito, estará se condicionando a vivenciar
também as demais virtudes.
Num segundo momento, deve-se
passar a trabalhar também outros valores, criando grupos para
estudarem e se aprofundarem nas dimensões do orgulho e da
vaidade, possibilitando aos participantes identificá-los em suas
vivências. Essa identificação é necessária porque só encarando
nossos desvios frente a frente seremos capazes de vencê-los.
O mesmo deve ser feito com
relação aos demais valores negativos.
Pense em quanto ganharíamos,
em termos práticos, com reuniões de bate-papo nas quais se
discutisse a questão da vivência espírita, sempre à procura de
meios que facilitassem a sua aplicação no cotidiano.
Em reuniões dessa natureza,
acaba se construindo uma espécie de cumplicidade entre os
membros do grupo, com vistas ao crescimento interior de todos, e
isto inclui outras tantas questões que martirizam o ser humano,
tais como o medo, a depressão, etc.
Outro instrumento importante
estaria em se lançar mão de práticas utilizadas por muitas
empresas que estão percebendo a necessidade de ajudar seus
funcionários a se tornarem pessoas mais tranqüilas, mais
equilibradas, visando ao melhor convívio e à cooperatividade
entre eles.
Tais empresas estão utilizando
métodos modernos com treinamentos, workshops, cursos e oficinas
ligados ao desenvolvimento humano, que tem tudo a ver com o
crescimento interior do ser. É claro que a finalidade da maioria
deles é maior lucratividade, mas funciona.
Existem profissionais
espíritas altamente capacitados nessa área que ministram
treinamentos em empresas e que certamente podem colaborar. Como
exemplo, podemos citar o conhecido palestrante e escritor
espírita Alkíndar de Oliveira (SP)
www.alkindar.com.br, competente profissional em treinamento
de liderança e comunicação e ele está justamente lançando um
livro Aprimoramento Espírita, que vai ajudar grandemente as
instituições que quiserem voltar-se para auxiliar seus
trabalhadores e freqüentadores na difícil tarefa de desenvolver
valores humanos, morais e espirituais. Essa obra é composta de
quatro livros em um: Auto-estima, Liderança Espírita, Unificação
e Projeto ORAR: Ousadia na Divulgação, Respeito às demais
Instituições, Administração Eficaz, Relacionamento Harmonioso.
Outro trabalho importante
recém -lançado é Projeto Valores Humanos para o Centro Espírita,
elaborado pela equipe do Instituto Espírita de Estudo e
Divulgação do Evangelho – INEDE (MG), www.inede.com.br. Esse
livro reflete experiências desse grupo ao longo dos anos, na
elaboração de um projeto que possibilitasse a interação do
centro espírita com a sociedade, alicerçado na ética e no
atendimento às necessidades comuns, na superação dos
preconceitos, pela educação integral através do desenvolvimento
de valores.
Essas idéias podem até soar
estranhas, mas importa perceber que é chegada a hora de se
trabalhar intensamente por mudanças em parte da sistemática
espírita, lembrando que estamos em plena fase de transição “de
provas e expiações” para “mundo de regeneração”, e toda
transição pede mudanças.
Não adianta ficarmos
reclamando das coisas erradas que encontramos a cada passo nos
meios espíritas. Importa trabalharmos para modificá-las,
buscando as causas profundas delas e promovendo as mudanças
necessárias.
Se você é “trabalhador da
seara”, seja qual for a sua função, você é co-responsável pelo
grupo ou centro em cujas atividades se encontra inserido. Por
isso procure fazer o melhor que puder. Procure interessar-se não
só pelas suas tarefas, mas também por tudo que diga respeito ao
grupo ou instituição, porque você é parte dele. A casa espírita
é também o seu endereço de luz. Se ela se encontra em situação
sombria, procure desenvolver meios para iluminá-la. Lembre-se de
que, quando algo realmente nos interessa, “movemos céu e Terra”
para consegui-lo. Assim, “movamos céu e Terra” para garantir as
melhores condições possíveis para que o nosso endereço de luz
possa cumprir sua missão.
Como criamos máscaras
Nos meios espíritas, tem-se
falado muito ultimamente sobre as nossas máscaras, e muitos até
se aborrecem afirmando não possuí-las.
Reflitamos um pouco.
Digamos que fulano,
trabalhador da seara, é fumante e gosta de observar as pessoas
para criticar-lhes, em tom jocoso, a roupa, a feiúra e até o
fato de estarem acima do peso.
Que faz então, sabendo que
seria censurado pelos companheiros, numa censura silenciosa ou
pelas costas, como geralmente acontece?
Para não se ver assim malvisto
e até marginalizado, escova os dentes e coloca algum
desodorizante bucal antes de ir para o centro, escondendo ou
mascarando tal conduta. Também evita até de olhar para as
pessoas com receio de formular alguma crítica e verbalizá-la a
um companheiro, já que praticamente automatizou tal atitude.
Já são então duas máscaras que
fulano criou.
Pense como seria se pudéssemos
juntar aleatoriamente dez espíritas que militam num centro a fim
de mergulharem fundo em si mesmos, com sinceridade, para
identificar as máscaras que criaram. Quantas acredita que seriam
encontradas?
Como podemos conviver
luminosamente num ambiente em que não podemos ser autênticos?
Que fazer então para tentar
diminuir o uso de máscaras?
Certamente, ajudaria muito
começar a se criar uma cultura de transparência, trabalhando-se
a amorosidade e o melindre. Quando aprendermos a ser amorosos em
nossos relacionamentos e não nos melindrarmos, ficará bem mais
fácil aceitar nossas mazelas e as dos outros como algo natural.
Quando pudermos nos acobertar
com as vibrações do amor, estaremos aptos a olhar uns para os
outros sem cobranças, nem silenciosas nem verbalizadas, e com
isso retirar nossas máscaras, por terem se tornado inúteis.
Algumas ações podem ajudar:
1 - Fomentar atividades fora
do trabalho espírita, como confraternizações ou encontros
fraternos, nos quais os trabalhadores da casa poderiam começar a
se conhecer melhor, criando um clima de maior confiança mútua.
2 - Organizar a realização do
evangelho no lar, na residência de cada um dos trabalhadores, em
regime de rodízio, quando cada um levaria algo para uma
confraternização após a reunião. (Há muitas opções para se
buscar um clima de maior confiança entre os companheiros de
seara)
3 - Promover reuniões de
terapia de grupo. Existem muitos profissionais dessa área,
espíritas, que fariam esse trabalho com prazer.
4 – Seguir aquela orientação
evangélica sobre confessarem-se uns aos outros. Mas quem terá
coragem para mostrar suas mazelas assim, publicamente?
Pode-se então trabalhar com
duplas; reunir os seareiros e, em clima de fraternidade, dividir
todos em duplas, A e B. Assim, durante algum tempo, pode ser
cinco minutos, A fala de si mesmo para B, apresentando suas
mazelas (aquelas que se sinta à vontade para externar), como se
fosse uma confissão. Em seguida, mudam-se as posições e B faz
suas confissões para A. Tudo isto deve ser feito evitando-se
justificar-se, queixar-se e inculpar-se. Deve-se falar de si com
naturalidade, lembrando que todos, sem exceção, somos seres
imperfeitos, mas em busca de nos melhorar.
Tal atividade deve repetir-se
sistematicamente. Assim, vai chegar um momento em que todos já
estarão conhecendo-se bem melhor, podendo ir retirando suas
máscaras, sem receio de serem marginalizados.
5 – A última sugestão, A MAIS
IMPORTANTE, é um trabalho intenso para desenvolver um clima de
amor na instituição. Com a presença do amor, tudo fica bem mais
fácil.
O tipo de amor de que estamos
mais necessitados é o materno, o mais puro e forte que existe na
Terra. A mãe não marginaliza o filho que erra, mas o acolhe e
procura de todas as formas ajudá-lo em seu crescimento como ser
humano. Jamais desiste dele.
A mãe que sabe amar prefere
compreender o filho a criticá-lo.
Se o maior dos mandamentos
dados por Jesus é o amor, por que não fazermos também o maior
dos empenhos para desenvolvê-lo em nossas vidas, em nossas
atividades?
É difícil? Certamente!
Mas o caminho indicado pelo
Mestre foi o estreito. Sigamos por ele, com fé, amor e alegria
no coração, porque a meta é a plenitude.
Num grupo verdadeiramente
fraterno, há confiança mútua, permitindo que uns se apóiem nos
outros, auxiliando-se mutuamente, incentivando os que estejam em
dificuldade de qualquer natureza, seja material, seja
espiritual, seja evolutiva.
Tais atitudes eliminam a
crítica e os próprios melindres acabam se diluindo, se
dissipando, por força do amor e da confiança que permeiam o
grupo.
UMA PALAVRA DIFÍCIL DE DIZER
Inspirando-nos nas informações
do espírito Manoel P. de Miranda, no livro Trilhas da
Libertação, psicografado por Divaldo Franco, e mediante outras
observações, é possível fazer a seguinte narrativa:
“O mais poderoso dos Gênios
infernais, intitulado ‘Soberano Gênio das Trevas’, depois de
longas análises do movimento espírita e de terem sido ouvidos os
maiores especialistas nas mais diversas áreas, orientou seus
assessores, os Comandantes dos Setores, dizendo:
‘Quero que os ataques
sistemáticos contra o Espiritismo sejam muito bem organizados.
Primeiro, vamos atacar com
todas as possibilidades através do sexo, estimulando-o ao
máximo, principalmente entre os líderes, médiuns, doutrinadores,
oradores e todos os que lidam com o público. Esse é um velho
sistema que sempre dá certo. Além disso, já temos os nossos
esquemas prontos. Basta adaptá-los e ampliá-los de acordo com as
situações.
Agora, prestem bem atenção
porque vamos usar uma arma nova, infalível... Nova, agora,
porque ela já foi usada com pleno sucesso há muito tempo.
Nós vamos mudar o rumo das
prioridades nos meios espíritas. Vamos estimular discussões em
torno da pureza doutrinária, e vejam que isto gera polêmicas
infindáveis; se o corpo de Jesus era fluídico ou não... Vamos
levá-los a discutirem se devem cantar ou não nos centros
espíritas, orar em pé ou sentados, de olhos abertos ou fechados,
fazer ou não bingos e semelhantes, enfim, todos os temas que
possam gerar belas polêmicas. Isto é fundamental porque não
quero que lhes sobre tempo nem energia para cuidar da nossa
maior inimiga... a ...’
A palavra engasgava na boca do
chefão, enquanto a platéia aguardava, curiosa. Por fim, desistiu
de pronunciá-la, continuando:
‘Quero também que estimulem o
estudo da Doutrina...’
Essa recomendação do Soberano
deixou estupefatos todos os presentes, mas ninguém teve coragem
de fazer qualquer observação. Rindo desagradavelmente, aquele
ser tenebroso continuou:
‘Procurem acompanhar meu
raciocínio. Os espíritas valorizam muito esse estudo. Então, se
não é possível levá-los a abandoná-lo, que seria o ideal, vamos
aproveitar essa característica para nosso benefício. Vamos
estimular verdadeira febre de estudos; deixá-los com a cabeça
cheia de conceitos... tão cheia que esqueçam da nossa maior
inimiga, a ... a...’
A palavra novamente estava
difícil de ser pronunciada. Todos estavam pendurados na fala do
chefão, curiosíssimos para saber qual era afinal essa terrível
inimiga. Com dificuldade, o chefe concluiu:
‘A ... reforma... interior.’
Os comandantes olharam-se,
quase sem acreditar em tanta astúcia na organização da maior
estratégia de todos os tempos em sua luta contra a luz. Quando
refeitos, todos, sem exceção, atiraram-se ao solo, genuflexos,
diante do Soberano. Este mandou que levantassem e continuou:
‘Levem os espíritas a
acreditarem que ela... a... a... nossa inimiga é tão difícil de
ser alcançada que o Criador estabeleceu a reencarnação, como um
caminho longo, interminável... para que nesse caminho a criatura
tenha todo o tempo da eternidade para atingir aquela... meta.’
Desta vez foram palmas
estrondosas que estrugiram no ambiente. O soberano sorriu de
novo, mais um esgar do que um sorriso, e continuou:
‘Não se esqueçam de que foi
essa a arma com que vencemos o cristianismo nos seus primeiros
séculos, transformando-o numa organização religiosa muito
preocupada com tudo menos com a vivência das “tolices” que o
Cordeiro ensinou. Foi assim que conseguimos atenuar os seus
efeitos, já que era impossível acabar com ele.’
E, lançando um olhar de aço em
torno, concluiu:
‘É isso que vamos fazer... Já
que é impossível acabar com o espiritismo, vamos atenuar os seus
efeitos.’
Após alguns instantes de
silêncio que ninguém ousou interromper, o Gênio do Mal
continuou:
‘Outra coisa: façam os
espíritas acreditarem que a tal da... a ... reforma...
interior... pode ser substituída por estudos e por trabalhos de
caridade. Eles vão gostar da idéia... e vão adotá-la.”
*******************
Lembramos então aos que
dirigem, lideram ou simplesmente trabalham nesta seara que
aquela expressão tão difícil de ser pronunciada pelo Soberano
Gênio das Trevas, a reforma interior, precisa ser a primeira
prioridade do movimento espírita, a nossa bandeira de luta, na
maior de todas as batalhas que precisamos vencer.
A propósito, convém lembrar a
mensagem de Jesus à Igreja de Laodicéia (a última das sete
igrejas) através de João, em suas visões na ilha de Patmos
(Apocalipse, 3: 16, 17 ).
“ Assim, porque és morno, e
nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha
boca; pois dizes: Estou rico e abastado, e não preciso de cousa
alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre,
cego e nu.”
Mas é claro que essa
advertência foi feita às outras religiões; não a nós... Ou, será
que foi?...
E, por favor, co-idealista,
não diga que esta é uma tarefa pessoal de cada um e não uma
atribuição das instituições espíritas. A instituição, desde o
centro até as entidades federativas, tem o dever de promover e
procurar facilitar com todas as suas possibilidades a reforma
íntima, ou o crescimento interior dos seus trabalhadores e
freqüentadores, já que esta é a principal finalidade do
espiritismo.
Compaixão
Um centro espírita em
Fortaleza sempre convida pessoas não espíritas para fazerem
palestras. São teólogos, filósofos, psicólogos, budistas, frades
católicos, etc. que enriquecem significativamente esses
encontros, porque sempre temos algo de bom a aprender com os que
pensam diferente de nós. Isto é alteridade, mas, como sempre,
muitos criticam, enquanto outros aplaudem.
Pergunto: precisa o movimento
espírita ficar murado, cerceado, dentro dos limites da
codificação? Será que sabemos tudo e nenhum aprendizado fora
desses muros pode ser importante para nós?
Já exortou o apóstolo a
procurarmos conhecer de tudo e reter o que for bom.
Há alguns anos assisti, no
Fórum Espírita de Pernambuco – Ferespe, a uma palestra proferida
pelo Lama Padma Santem sobre a compaixão pelo enfoque budista.
Em outros trabalhos, já falei
sobre isso, mas vale a pena repetir, porque aquela foi a
explicação mais perfeita que já ouvi sobre as sublimes dimensões
do amor.
“Digamos que alguém olha para
uma planta que se encontra num vaso dentro da casa. Pelo olhar
compassivo, em vez de observar se gosta dela ou não, pergunta
como é que ela se sente sem a luz do sol, a água da chuva e sem
as suas plantas amigas e companheiras.
Quando olhamos uma planta
pensando se gostamos ou não, nossa mente opera obstruída pela
sensação de gostar ou não gostar.
Uma inteligência maior é
olharmos para aquela planta perguntando do que ela necessita. E
mais do que isso, nós podemos olhá-la e ver com os olhos do bom
jardineiro quais as flores e frutos que essa planta tem
escondidos dentro dela e que ela mesma não sabe.
Quando em algum momento da
nossa infância, alguém (nossos pais, professores ou qualquer
outra pessoa) nos olhou e viu em nós as sementes e flores que
tínhamos dentro de nós e não sabíamos, fazendo isso,
amorosamente umedeceu a terra onde vivíamos para que pudéssemos
crescer e nos desenvolver. A essa capacidade, essa inteligência
de olhar o outro e reconhecer nele qualidades positivas, a isso,
no budismo, chamamos de amor.
Olhar o outro e ver o que
afeta a existência dele, para nos manifestarmos de forma
positiva para remover os obstáculos, isso é compaixão. Para
promover as qualidades positivas, isso é amor.”
“Através de cinco cores, nós
podemos praticar a compaixão.
A primeira é o azul. Através
dessa cor, nós olhamos para o outro e o acolhemos, e também
perguntamos quais as flores e frutos escondidos nesse ser.
Temos a compaixão amarela, de
um amarelo-dourado, que significa generosidade, riqueza, meios.
Então, quando vamos ajudar alguém, nós podemos não somente
ouvi-lo, entendê-lo, aspirar ao bem, mas podemos eventualmente
fazer algo mais.
Vamos supor, como acontece lá
no sul do Brasil, de tanto em tanto, que o rio subiu e a casa
foi destruída. A gente pode visitar o desabrigado e dizer: ‘Você
não se preocupe tanto... isto passa.’ É uma boa ajuda, mas com a
cor amarela podemos auxiliar para que passe mais rápido,
oferecendo um suporte prático.
Depois temos a cor vermelha,
que simboliza o eixo. Ela vem da sedução, daquilo que nos
encanta. Então, que possamos produzir no outro um encantamento
positivo, um eixo positivo. Assim, a cor vermelha vai nos ajudar
a dizer àquela pessoa que é melhor não reconstruir a casa no
mesmo lugar porque o rio pode subir de novo. Dessa forma, muitas
vezes não basta que a gente ajude o outro a reconstruir, mas que
o ajude a fazê-lo numa situação melhor. Para isso, precisamos da
sabedoria dos eixos. Para os nossos filhos, não podemos abdicar
disso. Não precisamos impor os eixos, eles não são impostos. Mas
se dissermos ‘eu não devo ajudar o outro a criar uma estrutura
positiva, um referencial positivo’, estaremos nos omitindo e
isso é uma atitude sem compaixão.
Então, é muito necessário que
repitamos as palavras dos grandes mestres, que vivamos essas
palavras, estudemos isso e entendamos, e possamos ajudar os
outros a compreender como viver melhor. Se não ajudarmos ou
outros nesse sentido, isso será uma falha da nossa compaixão.
Mas não bastam essas três
formas.
Há um momento em que vemos uma
criança puxando uma toalha com uma leiteira de leite fervente em
cima. Se não gritarmos, a criança puxa e se queima. Quando
gritamos, nós não nos opomos à criança. Nós estamos a favor
dela. Quando dizemos ‘não faça isso’, nós interrompemos uma ação
negativa. Muitas vezes é necessário manifestar o que se chama a
cor verde. No budismo isso é chamado ‘a família karma’, em que
vemos a negatividade surgindo e a obstruímos. Nós nos impomos
diante da negatividade, interrompendo-a. Não somos contra a
pessoa, somos a seu favor.
E há ainda a cor branca, a
culminância da compaixão, porque, ainda que eu acolha, ainda que
propicie meios, ainda que ofereça eixos, ainda que obstaculize a
negatividade, se não revelar a natureza ilimitada, não tive a
compaixão, a generosidade, a amorosidade de descobrir essa
natureza ilimitada e oferecer às outras pessoas, então as outras
compaixões são muito menores, são quase sem sentido.
O que dá sentido à vida é que
todos marchamos para a consciência da natureza última e vivemos
inseparáveis disso. A nossa vida não teria culminância, não
teria completude, sem a cor branca, em que nós reconhecemos a
natureza ilimitada. Então, a compaixão maior é podermos oferecer
aos outros essa natureza.”
Essa é uma forma de se
entender a palavra amor NA PRÁTICA, e não só nas palavras.
Aspectos científicos da prece
Nem todos sabemos orar de
forma a que a nossa prece se eleve em busca das forças mais
altas do universo.
Quem muito bem explica essa
questão é o conceituado escritor Torres Pastorino, no livro
Técnica da Mediunidade*, esclarecendo, sob a luz da física, do
magnetismo e da biologia, como os fenômenos de comunicação entre
a dimensão material e a espiritual acontecem, manifestando-se
através de vibrações e ondas.
Extraímos alguns trechos
bastante esclarecedores:
“As vibrações, as ondas, as
correntes utilizadas na mediunidade são as ondas e correntes de
pensamento. Quanto mais fortes e elevados os pensamentos, maior
a freqüência vibratória e menor o comprimento de onda. E
vice-versa.
O que eleva a freqüência
vibratória do pensamento é o amor desinteressado; abaixa as
vibrações tudo que seja contrário ao amor: raiva, ressentimento,
mágoa, tristeza, indiferença, egoísmo, vaidade, enfim qualquer
coisa que exprime separação e isolamento.
Em física estudamos as ONDAS
AMORTECIDAS, assim chamadas porque atingem rapidamente um valor
máximo de amplitude, mas também rapidamente decrescem, não se
firmando em determinado setor vibratório. São produzidas por
aparelhos de ‘centelha’, que intermitentemente despedem
fagulhas, chispas, centelhas, mas não executam uma emissão
regular e fixa em determinada faixa. Produzem efeito de
‘ruídos’.
No cérebro, ondas amortecidas
são as produzidas por cérebros não acostumados à elevação, mas
que, em momentos de aflição, proferem preces fervorosas.
A onda se eleva rapidamente,
mas também decresce logo a seguir, pois não tem condição para
manter-se constantemente em nível elevado, por não estarem a ele
habituados. São pessoas que, geralmente, se queixam de que ‘suas
preces não são atendidas’. De fato, produzem ‘ruído’, mas não
conseguem sustentar-se em alto nível, não atingindo, pois, o
objetivo buscado.”
“(...) Ondas longas são todas
as superiores a 600 metros de comprimento. Caminham ao longo da
superfície terrestre e têm pequeno alcance. Ondas médias são as
de comprimento entre 150 e 600 metros. Caminham em parte ao
longo da superfície, mas também se projetam para as camadas
superiores da atmosfera. Têm alcance maior que as anteriores,
embora não muito grande. Ondas curtas são que variam entre 1,0 e
150 metros. Rumam para a atmosfera superior, e são captadas de
‘ricochete’. Têm alcance muito grande, podendo ser captadas
facilmente até nos antípodas. Ondas ultra-curtas são todas as
que forem menores que 10 metros. Muito maior alcance e força,
ecoando nas camadas superiores da atmosfera.
Tudo isso faz-nos compreender
a necessidade absoluta de mantermos a mente em ‘ondas’ curtas,
isto é, com pensamentos elevados, para que as nossas preces e
emissões possam atingir os espíritos que se encontram nas altas
camadas.
As ondas longas, de
pensamentos terrenos e baixos, circulam apenas pela superfície
da Terra, atingindo somente os sofredores e involuídos, ou as
próprias criaturas terrenas. Qualquer pensamento de tristeza, de
ressentimento ou de crítica abaixa as vibrações, não deixando
que nossas preces cheguem ao alvo desejado.
A prece não pode, científica e
matematicamente, atingir os planos que desejamos, quando estamos
‘dessintonizados’.”
*Esse livro Técnica da
Mediunidade não é mais editado há muito tempo, mas poder
“baixado” na Internet, em:
http://www.espirito.org.br/portal/download/pdf/index.html
Encerrando
Gostaria de encerrar este
opúsculo com uma visualização e uma prece.
Juntemos então nossas
potencialidades em busca da Causa Primária de todas as coisas.
Se estiver cansado,
estressado, respire fundo algumas vezes, dando a si mesmo uma
ordem para relaxar.
Mentalize em torno de si um
campo de energia luminosa cheia de vitalidade e de alegria.
Inspire esse ar luminoso,
carregado de energia. Visualize essa onda de energia benéfica
penetrando em seu corpo, espalhando-se por ele.
Não pense. Apenas sinta um
estado de calma, de profunda paz.
Diga mentalmente, procurando
visualizar e sentir o que diz, com toda intensidade:
Peço às Forças Universais do
Bem para me envolverem e a todos os meus, conduzindo-nos por
caminhos retos. Que elas nos protejam, florindo nossos lares,
harmonizando-nos, abrindo caminhos diante de nós e nos chamando
para o alto.
Que as Forças Universais da
Justiça me orientem, a fim de que eu seja sempre uma pessoa
justa e honesta, manifestando ética em todas as minhas
atitudes... E que essa mesma justiça se estabeleça também em
nosso planeta, em toda a sua extensão.
Peço às Forças Cósmicas da Paz
e da Luz para se refletirem sobre a Terra, vibrando nos corações
de todas as pessoas, pacificando... iluminando... guiando a
humanidade pelos caminhos do BEM.
Peço às Forças Cósmicas do
Amor para se manifestarem em mim, na minha alma, nos meus
sentimentos, vibrando em todas as minhas células e neurônios.
Quero que esse amor esteja presente em mim, em todos os momentos
da minha vida...
Peço finalmente ao Pai Criador
para envolve |