Viver com ética


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VIVER COM ÉTICA

 

É a campanha da

ABRADE - Ass. Brasileira de Divulgadores

do Espiritismo, para 2006.

Mas o que isto significa, em sua profundidade?

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A transição pede quais mudanças

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Ética e sociedade

 

O mundo passa, em verdade, por delicadas e radicais mudanças, que fazem tremer as mais sólidas estruturas de organismos e instituições sócio-político-jurídicas de nossa era. Os mais pessimistas apontam para a destruição de nossa cultura, numa revivescência da barbárie que animará as guerras e os desejos de conquista da contemporaneidade.
Preferimos não cerrar fileiras entre estes. Ousamos continuar acreditando na reforma (real) das instituições humanas a partir das células iniciais e fundamentais do processo - os homens. Chegará o dia em que estaremos diante de uma humanidade renovada, em que o respeito mútuo seja a tônica das relações jurídicas e sociais. Nesses dias, éticos serão todos os seres que co-habitarem o orbe e, talvez, nem mais existam as rígidas regras jurídicas, porque cada cidadão, em travando negócios com a administração de um Estado ou de uma sociedade ou pessoa, estará fornecendo bens ou serviços como para si mesmo fosse.
Mas, no presente, infelizmente, nos atos comuns e cotidianos de nossa vida civil, nos deparamos com algumas situações inglórias. A mais repugnante, todavia, se funda no sentimento de desconfiança. É ele o ponto de partida para grande parte dos problemas humanos deste e de outros tempos.
Figura, pois, como o sustentáculo da noção vazia de que "as pessoas, em sua maioria, são desonestas, corruptas e delinqüentes". Alguns mestres de nossas faculdades, sob a inspiração do mais puro direito, foram nossos maiores incentivadores, no sentido do respeito à individualidade de cada um, mormente em se tratando do primeiro lance de olhares, dirigido, por nós, a qualquer criatura.
Falamos, deste modo, dos chamados preconceitos, isto é, nada mais do que os pseudoconceitos dirigidos em nossos diálogos, comentários, pareceres, decisões, de que o administrador público age desonestamente, desvia ou se
apropria de valores que não lhe pertencem, obra falcatruas objetivando a satisfação de interesses seus ou de apadrinhados, deixa-se corromper e, para sermos mais abrangentes, destina de forma negligente ou imperfeita os bens e valores públicos.
Nunca se mencionou tanto a ética, que, em nossos dias, extravasa a mera pretensão de conceituação e vivência individual (íntima e pessoal-espiritual), para adequar-se ao dever-ser coletivo, na exata proporção de que o resultado deva ser o melhor para a coletividade e, tendo-se clara a noção de que "é impossível contentar-se a todos", onde se intente a satisfação da maioria, num Estado democrático de direito, como o nosso. Será possível?
Na nova administração pública, deverão figurar pessoas qualificadas por um comportamento honesto, competente, fundamentalmente racional, ético e franqueador da participação de todos (um agir democrático efetivo), na direção da exata satisfação dos anseios e necessidades da coletividade. Nestes novos tempos, os homens que quiserem assumir a administração pública deverão estar cônscios de que abraçam missão que congrega gama de preocupações que só o amor à causa pública suplanta - desde que respaldado, evidentemente, em proveitos que passam pela
adequada remuneração subsistencial e pelo prestígio de homem público, entre outros.
Eis nossa sincera percepção e diagnose dos tempos atuais. A ética contagia e a administração pública, formada por cidadãos egressos do público, da sociedade, mais bem preparados e cônscios da meta de servir ao coletivo, inaugura uma nova era de moralidade administrativa. Os que não se ajustam ao sistema - tal como no modelo biológico de seleção natural -, os menos aptos, vão desaparecendo, paulatinamente, para dar lugar a uma nova geração de administradores públicos. Talvez em futuro breve não seja mais preciso invocar a ética, pois ela já estará enraizada no modo de proceder do homem e da sociedade.

 

Marcelo Henrique Pereira,

professor Msc, auditor público, advogado e consultor jurídico:

cellosc@floripa.com.br

 

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